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Nem sempre pelas melhores razões se tem falado nos últimos tempos sobre a identidade portuguesa. Que tende a desaparecer para uns, que foi construída sobre falsos padrões para outros e que terá pela frente o enorme desafio de se manter viva e se revigorar com os dados demográficos que se apresentam para as próximas décadas.

Em ano de eleições autárquicas, será uma excelente oportunidade conseguir fazê-lo. Debater soluções que levem à inversão urgente da tendência de decréscimo da natalidade e de fixação e ligação das populações, a políticas de integração de migrantes que tenham em conta a dignidade do ser humano e da inserção na sociedade que têm que respeitar, de reforço das comunidades locais e das suas lideranças, tendo sempre em conta o todo nacional.

Importa, também por isso, tentar ir à essência do que é ser português no século XXI e que tem também na sua base tanto a tradição municipalista como a vocação atlântica. E fazê-lo de uma forma objectiva, sem os preconceitos que vêm das ideias já feitas de quem nunca pensou, leu ou escreveu sobre isso (ou que o fez e por isso o quer destruir, mas isso já é outra história). De quem nunca olhou para nós, os Portugueses, querendo ver. Encontrar e demonstrar essa mesma maneira de ser e viver a vida e o mundo. Contribuir para fazer pensar para que a tão portuguesa capacidade de reinvenção nos leve a todos ao propósito maior que nos falta hoje enquanto país. A um novo desígnio português.

A História interessa pelo que se aprende com ela e é por isso tão importante conhecê-la. Se pensarmos bem, a afirmação portuguesa teve sempre com saber pensar e fazer diferente do que era esperado. O “by the book” nunca foi nosso. E quando quiseram (e querem) deu (e dá) no que que deu.

Há fórmulas ou formatos que não são repetíveis, sob pena de se tornarem meras repetições, porque já sem alma e sem sentido do que já se foi. É para um tempo novo, que tem na base aquilo que é ser português que interessa, por isso, refletir. Há uma outra via de reafirmação de Portugal e de fazer mais do mesmo que se esgota logo ali. Muito para além da bazuca obediente da União Europeia. Não para o Instagram do momento, mas para o que se passa para quem vem depois. E que se quer que venha e que seja português. Não se trata de sobreviver ou de viver como outros querem ou deixam; é perceber o que queremos e saber que se o quisermos com uma visão capaz de ir mais além, fazemos a diferença e, aí sim, retomamos novamente as rédeas do nosso futuro. O Ser Terra ou o Ser Mar de D. Manuel Clemente a que volto tantas vezes. Nem de propósito estamos na Pascoela, em cujo domingo e pela tradição cristã, uma graça pedida será atendida. E que tal aproveitar o espírito da época e, de uma vez por todas, começar a trabalhar a sério a ideia de repensar (e de repovoar) Portugal?

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