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1 Excelente

Na verdade, o Governo Passos Coelho foi o primeiro em democracia a iniciar esta caça ao homem. Após as eleições, a primeira preocupação foi a de criminalizar as políticas do Governo anterior, única forma que encontraram de legitimar as suas”, escreveuJosé Sócrates.

A culpa de tudo, mesmo de TUDO, é do Passos. Grande Homem, o Dr. Passos Coelho, que o tempo não apaga, nem a memória esquece.

2 Muito Bom

O funcionamento do centro de vacinação de Lisboa, na Cidade Universitária. Exíguo, contudo. Precisamos de mais centros destes. Parabéns a quem o organizou e nele trabalha.

Achar que é mau o programa de vacinação estar atrasado. Quer dizer que há vacinas. Há um ano ainda não era certo.

Ninguém ligou nenhuma, mas o Senhor Presidente da República foi visitar uma unidade de prestação de cuidados primários no dia mundial da saúde. Uma ótima ideia. Medina não faltou. Entretanto, Moedas pediu a um médico veterinário para nos proteger de próximas pandemias. Não, não acha que somos todos umas bestas. Emendou a mão e pôs um médico a coordenador de campanha. E logo um especialista, dos autênticos e sem aspas. Fez bem. A sua futura eleição é mesmo matéria de saúde pública.

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Melhor mesmo, só Cascais ter assumido responsabilidades sobre os Cuidados Primários do Concelho. Mais uma vez, não mereceu grande destaque, mas é muito mais importante do que parece. Uns dizem mal, outros fazem.

Ler esta entrevista, da Diretora da Escola Nacional de Saúde Pública, é tempo mais bem entregue do que a ouvir a rapaziada “do costume”.

3 Bom

A Senhora Ministra da Saúde anda a falar menos e melhor. Reconheceu que também temos direito a descanso.

Há umas semanas, a Dra. Marta Temido disse que “culpar” o Natal seria um abuso epidemiológico. Não foram estas as palavras, mas passou o conceito e esteve bem.

Alargar o intervalo entre 1ª e 2ª dose de vacinas foi uma boa decisão.

Foi preciso pedir ajuda à Ordem dos Médicos para que todos os meus Colegas tenham acesso à vacina. Foi tarde, mas perceberam que sem envolvimento de todos os intervenientes não se resolvem as crises de saúde pública.

4 Suficiente

Fiquemos à espera de que haja vacinas suficientes para envolver as Farmácias no processo. Ter aberto a porta à possibilidade, “em último caso”, já foi menos mau. Suficiente, portanto. Em fevereiro era mais taxativo,  mas um Almirante sabe bem como não perder o pé. Mais vale suficiente que bom e não vale a pena irritar as “forças vivas” que aguentam o governo. Afinal, até os barcos, digo navios, peço desculpa, como disse, vasos de guerra pois claro, têm marcha à ré.

Não sendo possível garantir uma efetividade a 100% da prevenção primária é necessário ter respostas ao nível da prevenção secundária e terciária. Andamos a melhorar em rastreios, quero crer, mas acho que os responsáveis ainda não perceberam que se confinou porque o SNS não responde. Chumbou no stress test. Arriscamo-nos a levar com umas “ondinhas” e voltar ao “colapso”.

Pode ser que desta vez entendam que é preferível, na falta de melhor opção, confinar localmente do que nacionalmente.

Os “responsáveis”, embora eu não saiba exatamente quem são, já admitem que morreram mais pessoas por causa da COVID-19 do que com COVID-19. Já é tempo, como terá dito o Marquês, de tratar dos (que ainda estão) vivos.

5 Mau

Ainda estamos a vacinar com grande lentidão. Pelo andar do programa, é coisa para não terminar antes de ser preciso reformular os antigénios das vacinas atuais. Vacinar os professores, independentemente da idade ou de outros fatores de risco é uma tolice.

Insistir em criar comissões com peritos não remunerados. Atentem no número 11 do Despacho. Não pagar, mania do Estado, é do pior que há. Também criei umas comissões com peritos pro bono. Fiz mal. Peço desculpa a quem lesei e agradeço não me terem mandado à…Teria sido merecido. Barato, Rápido e BOM…Faça Você.

6 Muito Mau

A história da vacina da Astra Zeneca é uma epopeia. Todos falaram e em excesso. Descarrilaram. Recapitulemos. Começou por ser excelente e para todos. Malandros que só a dão a “bifes”. Afinal, não serve para os mais velhos. Paramos tudo que é mortal. Escondem a vacina. Nada disso, até se destinavam a quem tinha pedido a rusga.  Só faz mal às senhoras mais novas. A Agência Europeia de Medicamentos vem dizer que é segura, embora recomende atualização do Resumo de Caraterísticas do Medicamento. Ok. Retoma-se, mas só serve para velhos. E quem não quiser, lixa-se.

Tenham dó. ISTO não tem nada a ver com Ciência. A probabilidade de desenvolver uma trombose venosa com a vacina da AstraZeneca, calculada no Reino Unido onde já a deram a mais de 20 milhões de pessoas, é de 1/250 000 vacinados — 0.0004% — com uma morte atribuível em cada milhão. Na Europa, todos os meses, mais de 100.000 pessoas desenvolvem coágulos no sangue, independentemente da COVID-19. Com todo este circo, começado por erros nas promessas de contratação e entrega de vacinas, pode haver doentes a colocarem-se em risco por não aceitarem ser vacinados. Vacinemos rapidamente e com o que temos.

A realidade é que ainda não sabemos, com certeza absoluta, se as vacinas são todas equivalentes em termos de efetividade, sendo que também é prematuro afirmar que uma é mais indutora de efeitos secundários do que outra. Passada a urgência de vacinar à outrance alguma há de emergir como a melhor e o mercado decidirá. Sim, esse mesmo, o mercado. A ciência sustenta, o mercado decide. É assim a farmacoterapia. Não queria desiludir ninguém, mas… Até lá, num contexto de escassez de oferta, não é tempo de hesitar. Com qualquer uma das vacinas disponíveis na Europa há diminuição do risco de morrer com COVID-19.

A ideia, a simples ideia, de obrigar a um passaporte vacinal quando até já existe um certificado internacional de vacinação, não faz sentido porque ser vacinado diminuiu o risco, mas não garante a impossibilidade de transmissão. Não é aceitável enquanto não houver vacina para todos. A vacina não substitui, para já, a necessidade de haver testes e, ainda menos, não afasta as medidas de higiene básica.  Uma vacina que previna a COVID-19 pode ser exigida para entrar num País? Pode, como, por exemplo, a da Febre Amarela já é em alguns lugares deste Mundo. Mas se eu quiser vacinar-me para a Febre Amarela sei onde tenho de ir para ser vacinado. E também há quem morra por ter sido vacinado contra a Febre Amarela. Mas a larga maioria dos vacinados para a Febre Amarela sobrevive (incluindo o autor) e a dita febre tem uma mortalidade aproximada de 40%.

7 Péssimo

Ninguém se entende na Agência Europeia de Medicamentos.

Depreendo que ninguém avaliou os impactos na saúde de mais este investimento.  Acredito que a renovação do parque hospitalar nacional, incluindo o de Gaia, seria melhor investimento da “bazuca”. Estou errado?

Um exemplo para usar em aulas de avaliação de tecnologia. Este não me vai escapar. Foi um avião, mas poderia ter sido um medicamento ou equipamento de saúde.

Falar em R(t) sem que ninguém nos explique como está a ser calculado. Pois é, há formas diferentes de chegar a esse número. Qual é a nossa? O Dr. António Costa pediu que se unificassem critérios mas “os especialistas” não lhe ligam nada.