1 Quando escolheu a sua frase de campanha, Carlos Moedas estava longe de imaginar o que ela poderia trazer de significado, não só para Lisboa, mas para todo o país. “Novos Tempos” começaram ontem na capital. Compete ao novo Presidente da Câmara provar, neste tubo de ensaio que é Lisboa, que há uma alternativa à governação socialista a que parecíamos estar condenados nas próximas décadas. O sucesso de Carlos Moedas e os sinais que der nestes primeiros meses de governação são muito importantes para o início de Novos Tempos também no país. Não são só os lisboetas, mas é todo um país que está de olhos postos na Praça do Município, ali a dois passos do Terreiro do Paço. O futuro dirá se ontem começou um processo de mudança na política nacional.

2 Embalado pelos Novos Tempos que começaram em Lisboa e noutras capitais de distrito, Paulo Rangel encontrou a motivação para mudar a agulha no principal partido da oposição. Ironia do destino, é no momento em que Rui Rio consegue alcançar a principal meta a que se propôs – inverter o ciclo de derrotas em eleições autárquicas – que o PSD percebeu que com um líder e uma dinâmica diferentes das de Rui Rio pode pensar em reconquistar o poder. É bem provável que Rui Rio esteja a fazer a mesma reflexão e dê a sua missão por concluída. O PSD precisa de novos tempos para aproveitar a oportunidade que o eleitorado lhe deu nestas eleições autárquicas. Paulo Rangel pode representar essa mudança desde que tire partido das suas capacidades intelectuais e políticas e resista à tentação do trauliteirismo. Para isso já cá temos André Ventura.

3 Entretanto ali ao lado, no Parlamento, repetem-se velhos tempos. António Costa está a provar o sabor das suas escolhas. Encurralado à extrema-esquerda, vai ter que fazer opções que nos empurram ainda mais para um modelo económico que já provou a sua falência no século passado, enquanto os países que passaram por essa triste experiência nos ultrapassam paulatinamente, agora que descobriram as vantagens de fazerem parte da União Europeia.

Depois de apresentar um orçamento de que ninguém gosta, o primeiro-ministro tem agora que fazer tudo, ou fingir que faz tudo, para evitar uma crise política. No fim deste percurso encontraremos dois pântanos: ou o pântano de um orçamento que nos irá puxar ainda mais para baixo na tabela dos países da União Europeia; ou o pântano de um cenário de eleições antecipadas num timing desastroso e com resultados que podem colocar o país num impasse ainda maior do que o atual.

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