Era um Domingo tranquilo em Salisbury, no dia 4 de Março. Depois de um forte nevão, havia menos gente na rua do que é habitual.

Sergei e Yulia Skripal tinham decidido sair, apesar do frio. Foram a um Pub e almoçaram num restaurante italiano.

Pouco depois, foram encontrados quase inconscientes num banco de jardim, devido aos efeitos de uma arma química de uso militar. O comissário da polícia Nick Bailey, o primeiro a socorrê-los, tornou-se a terceira vítima.

Os Skripals têm estado submetidos a um tratamento especializado no hospital por terem ficados gravemente doentes. O comissário Bailey teve alta apenas recentemente.

Este ataque teve repercussões em todo o mundo, mas não devemos esquecer que no centro de tudo isto está Salisbury – uma cidade catedral pacífica, cercada por rios e aldeias tipicamente inglesas.

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É um lugar lindo, como comprova o grande número de turistas que viajam de todo o mundo para apreciar as nossas ruas medievais e a nossa catedral espetacular. Vêm visitar o imponente Stonehenge, ver um dos exemplares originais da Magna Carta e explorar uma cidade que serviu de cenário para filmes de Jane Austen e romances de Dickens.

É uma cidade antiga cuja história impulsiona o turismo do qual depende. No entanto, ao longo de 800 anos, acho que Salisbury nunca tinha recebido tanta atenção a nível internacional como recebeu nas últimas semanas.

Quando penso em Salisbury penso na nossa comunidade vibrante e no nosso profundo orgulho cívico. Por isso, entristece-me que as pessoas em todo o mundo tenham agora uma visão da cidade marcada por imagens de cordões policiais e vestuário de protecção especial para lidar com materiais perigosos.

Este ataque foi chocante, indiscriminado e imprudente; e embora reconheçamos isso, também devemos reconhecer que podia ter sido muito pior. Os agentes neurotóxicos não são armas de precisão, tal como o comissário Bailey acabou por comprovar por experiência própria.

Porém, no período imediatamente a seguir, a minha cidade tornou-se ela própria uma vítima do ataque.

Enquanto a comunicação social em todo o mundo contava a história de como uma arma química ilegal tinha sido usada num dos cenários mais improváveis, os visitantes abandonavam o centro da cidade. As pessoas praticamente desapareceram e as nossas lindas lojas e restaurantes locais situados mais perto dos cordões policiais, sofreram uma quebra de quase 90% da noite para o dia.

Mas a resiliência de Salisbury e dos seus residentes ajudou-nos a ultrapassar a situação. Apoiada em larga medida pela reacção exemplar dos seus serviços de emergência, a cidade está – lenta mas seguramente – a recuperar.

Está em curso uma investigação minuciosa e metódica sobre o ataque, 24 horas por dia, envolvendo cerca de 250 polícias. Esta investigação irá continuar até que o último fragmento de prova tenha sido reunido. Ao contrário do Kremlin, não basearemos o nosso caso em falsidades e insinuações.

Entretanto, as pessoas estão de volta aos bares e restaurantes, e as nossas ruas estão a voltar à normalidade.  Enquanto a série de expulsões de diplomatas russos mostrou ao Presidente Putin a determinação dos países à escala mundial em defender a sua segurança e os seus valores, também os cidadãos comuns de Salisbury se uniram para proteger o seu modo de vida.

A sua dignidade e a sua decência são a resposta perfeita à agressão e ao cinismo.

Senti orgulho ao ouvir os relatos de polícias de outras regiões sobre a forma como foram acolhidos pelos habitantes locais, e sobre os pequenos mas numerosos actos de gentileza para com eles enquanto realizavam o seu importante trabalho.

Vimos uma demonstração de solidariedade sem precedentes para com o Governo Britânico da parte da NATO e dos aliados em todo o mundo: mais de 25 países expulsaram mais de 150 diplomatas russos, o que constitui um rude golpe para a capacidade do Presidente Putin fora da Rússia.

Ao mesmo tempo que Salisbury reage com enorme esforço e determinação, espero ver a solidariedade internacional traduzir-se na vinda de ainda mais turistas para desfrutarem desta linda região no canto sudoeste de Inglaterra. Podemos não ser conhecidos por um clima fenomenal, mas à medida que o Verão se aproxima Salisbury estará pronta para mostrar o que há de melhor no Reino Unido: seja um Pimm’s num jardim ensolarado de um Pub, ou umas caminhadas ao vento pelos nossos campos.

E ficaria encantado se os nossos visitantes russos tivessem tempo para visitar os locais mais característicos da nossa cidade e usufruir da nossa hospitalidade. A nossa questão nunca foi com os cidadãos comuns da Rússia, mas sim com o Kremlin. E o Presidente Putin terá agora a oportunidade de constatar de que é feita a população de Salisbury.

Deputado ao Parlamento do Reino Unido eleito pelo círculo de Salisbury e South Wiltshire, membro do Partido Conservador