Chegados ao final do ano, depois de meses de suspensão de quase tudo, por motivo de uma pandemia para a qual ainda há muitas poucas explicações convincentes, de desespero, de doença e morte de tantos, parece que começa a surgir uma luz ao fundo do túnel, depois de o percorrermos quase sempre às escuras. Para os crentes, a poucos dias do Natal, será um sinal divino, uma relação com a luz de uma outra época, de um outro acontecimento. Para todos, será sempre uma prova do valor do engenho humano, do conhecimento e da ciência.

Depois de se ter vincado o valor e importância dos profissionais de saúde, dos da “linha da frente”, com toda a justeza. Que enfrentaram com esforço e dedicação e, quantas vezes com prejuízo próprio nas suas vidas, resistindo ao vencer batalhas umas a seguir às outras, só uma vacina podia dar o golpe final neste vírus e, vencer a “guerra”. Nessa medida, estou certo que a magnitude do problema e da solução nos aproxima de outras catástrofes que a história conta. A frase de Winston Churchill pronunciada em 1940, “nunca tantos deveram tanto a tão poucos”, aplica-se na perfeição aos cientistas que conseguiram a proeza de desenvolverem vacinas num tempo recorde.

Independentemente das dúvidas de muitos, das reticências quantas vezes por desinformação, parece evidente que o plano de vacinação contra a Covid-19 deve ser encarado como um desígnio nacional, devendo ser assim publicitado, com intensidade e clareza. Mesmo sendo um comportamento dependente da vontade individual, este é claramente um assunto cujo interesse comum deve prevalecer, pondo de lado egoísmos. E nesse sentido, espero para ver os líderes de todos os partidos, das congregações religiosas e de todas as organizações de relevo na sociedade, a arregaçarem as mangas em público, com as câmaras à frente. A sua responsabilidade e liderança a isso obriga.

Na questão da vacinação, como noutras matérias relacionadas com a gestão da pandemia, o Governo tem estado titubeante. Isso é bem claro ao pretender concentrar a vacinação nos centros de saúde, contando que isso não vá ter implicações nas restantes atividades programadas. Parece um delírio! O que era lógico, era encontrar espaços alternativos e, quiçá, solicitar a ajuda, mesmo que em regime de voluntariado, de todos os enfermeiros – que são os profissionais com formação e competências para as administrarem, não outros! -, que, não estando nos centros de saúde, quisessem contribuir para algo com esta magnitude e urgência. Se assim for, eu estarei entre os primeiros.