1. A notícia da nomeação de Adolfo Mesquita Nunes como administrador não executivo da Galp não me deixou desiludido, como aconteceu com João Miguel Tavares, mas apanhou-me de surpresa. Não estava à espera que uma das mentes mais brilhantes e politicamente promissoras da minha geração se rendesse aos encantos da vida dupla que muitos políticos gostam de ter entre o exercício da política e a defesa dos interesse privados das empresas que os contratam. E não estava à espera porque me parecia que o Adolfo era um político diferente dos restantes.

Ainda não sei se me enganei — o futuro dirá — mas certamente que passei a ter dúvidas sobre o diferenciação de Mesquita Nunes face à restante classe política.

Dir-se-á que a transferência de Adolfo Mesquita Nunes para a Galp não fere o regime de incompatibilidades que o próprio, por ter desempenhado as funções de secretário de Estado do Turismo, está obrigado a seguir — o que é verdade. Mas a questão não é legal. É ética — e, no caso de Mesquita Nunes, de credibilização da sua mensagem política.

Falando em termos práticos para o leitor perceber o que está aqui em causa. O que fará Mesquita Nunes quando o CDS discutir ideias para os setores energético e ambiental? Vai abstrair-se de tomar posições ou vai influenciar o partido para tentar acomodar os interesses privados da Galp? E quando estiverem em debate no Parlamento projetos-lei que coloquem em causa os interesses da principal petrolífera nacional? Adolfo vai declarar o seu conflito de interesses ou vai influenciar o sentido de votação em detrimento do que o colega espanhol propôs?

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