A discussão do estado da nação na próxima sexta-feira ocorre após uma semana fértil em acontecimentos. O Conselho Europeu chegou a acordo para o Fundo de Recuperação e para o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027. Portugal vai receber 45 mil milhões de euros. Um montante de recursos irrepetível. A sua aplicação deverá ser enquadrada pela Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social, apresentada ontem. Uns dias antes, foi divulgado o despacho de acusação do caso BES.

O caso BES é paradigmático. É um bom ponto de partida para uma reflexão sobre o estado a que a nação chegou. A falência de um dos mais importantes grupos económicos portugueses e a associação criminosa, que, de acordo com o Ministério Púbico, foi montada à sua volta, mostram as fragilidades do nosso regime económico e político. E nada sugere que essas fragilidades estejam ultrapassadas.

Como foi possível, no espaço de uma década, Ricardo Salgado ter-se tornado num dos homens mais poderosos de Portugal, alcançando um poder que provavelmente a família Espírito Santo não alcançara no Estado Novo? E como foi possível ter, alegadamente, liderado uma associação criminosa para extorquir milhares de milhões de euros ao país em seu benefício e do seu círculo restrito?

Após a reprivatização do BES em 1991, a ascensão do Grupo Espírito Santo foi meteórica. Tendo como ponto de partida a banca e seguros, alargou a sua influência a muitos sectores de atividade económica. Nas telecomunicações, através da sua participação na PT. No sector imobiliário, hotelaria, nas Parcerias Público-Privadas, entre outros. Além disso, o GES destacou-se como alfobre de governantes.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.