Brasil

O Brasil, as mortes violentas e a incapacidade de raciocínio /premium

Autor
2.601

As pessoas mortas nesse episódio não foram assassinadas apenas pelos dois jovens que cometeram o crime, mas sim por todo o sistema que vem sendo implementado e cultuado no Brasil.

Eu estava em São Paulo na última quarta-feira, quando aconteceu em Suzano, a cerca de 60km da capital, o dilacerante tiroteio numa escola que matou 8 pessoas, sendo 5 adolescentes. E é realmente desesperador testemunhar o tipo de comportamento e de discurso que tomou conta do Brasil no último ano.

A agressividade do discurso de muitos, a falta de qualquer tipo de constrangimento para dizer palavras de intolerância e a imensa quantidade de falas efetivamente criminosas no que tange a racismo, misoginia, xenofobia e sectarismo. Milhares de pessoas — seguindo o bizarro e infeliz exemplo norte americano — perderam completamente a capacidade de dialogar e, acima de tudo, de ter empatia.

Todavia, nem é isso o que mais preocupa acerca o Brasil. O que mais assombra é a total incapacidade de raciocínio que se instaurou. Entre mensagens em massa no whatsapp, fake news e uma mídia escandalosamente manipulada, parece que até mesmo pessoas com alto grau de instrução perderam a capacidade de entender que um mais um é igual a dois.

O massacre ocorrido em Suzano é um resultado evidente da cultura de ódio e da banalização da violência que se espalha pelo país. E, ainda mais óbvio do que isso, é também o resultado de uma política de facilitação de acesso a armas. Mesmo que essa facilitação ainda não esteja efetivamente implementada, o culto às armas e a ilusão de que isso pode ser uma fonte de segurança já se espalha pelo país como uma epidemia.

Armas servem para matar. E ponto. As pessoas mortas nesse episódio não foram assassinadas apenas pelos dois jovens que cometeram o crime, mas sim por todo o sistema que vem sendo implementado e cultuado no Brasil. Um país que elege um presidente que, durante sua campanha segura uma menina de 2 ou 3 anos no colo e a ensina a fazer uma “arminha” com os dedos da mão, também é responsável pela desgraça que aconteceu essa semana.

Mas não. As pessoas perderam a capacidade de entender a dinâmica de causa e consequência. A mentalidade de milhões de brasileiros beira a esquizofrenia. Elegem um governo que promete flexibilizar as leis ambientais e depois choram pelo desastre de Brumadinho. Elegem um governo que promete liberar o porte de arma e depois choram pelo tiroteio na escola Raul Brasil. E não choram por arrependimento, choram por burrice e seguem sem entender que suas mãos também têm vestígios de pólvora.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Jovens

Nos desculpem, queridos millennials /premium

Ruth Manus
1.332

Millennials, nos desculpem. Tem uma parcela de culpa de todo mundo nisso. Dos pais, da escola, do mercado de trabalho, da indústria, das redes sociais. E, sim, temos coisas a aprender com vocês.  

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)