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Vivemos uma situação de emergência, com as alterações climáticas a serem cada vez mais evidentes e com consequências graves.

Continuarmos a depender substancialmente dos combustíveis fósseis e não estamos a dar ainda os passos para uma alteração de comportamento individual compatível com o caminho para um desenvolvimento diferente e sustentável que necessitamos de trilhar. Um tipo de desenvolvimento que contrasta fortemente com o consumo desregrado de tudo e mais um pouco, que continuamos a praticar, como se não houvesse amanhã.

Não podemos fazer nada? Aguardamos passivamente que novas políticas de energia e de ambiente venham resolver o problema como que por magia? Não assumimos que somos parte do problema e que, portanto, temos de ser parte da solução?

A política energética e ambiental tem evoluído muito e há planos a médio e longo prazo, para a descarbonização da economia, isto é, a redução drástica do uso de combustíveis fósseis. Contudo a Greta Thunberg acusa-nos, a nós e aos governos, de uma atitude no mínimo mole, a qual corresponde a não estarmos a fazer nada!

É evidente que a política e a pressão sobre os políticos é muito importante. Mas já pensou no que pode fazer desde já? Aquilo que está na sua mão e que depende pouco dos políticos? Para isso vou-lhe dar algumas ideias, cuja adopção só depende de si e dos meios ao seu dispor (note que para alguns dos gastos associados ao que sugiro, há agora ajudas do Governo destinadas aos mais necessitados).

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E algumas destas sugestões não exigem grandes investimentos, ou mesmo nenhuns. A nova atitude, praticada por si, pelos seus filhos e pelos seus amigos e vizinhos, a quem não deixará de falar dela, terá um impacte muito significativo.

Ideias com um custo baixo ou nulo

  1. Deixe de cozinhar com o seu fogão a gás. Custa o mesmo (ou até menos) cozinhar com placa eléctrica.
  2. Substitua o seu velho esquentador a gás por um cilindro eléctrico.
  3. Substitua os seus velhos electrodomésticos por novos, no mínimo classe A.
  4. Melhore as suas janelas, passando a usar vidros duplos.
  5. Isole a cobertura da sua casa, isolando o forro do telhado, por exemplo.
  6. Se possui um aquecimento central (ar condicionado), regule o termostato para um ou dois graus Celcius menos; não notará grande diferença; e, se puder, não aqueça a casa toda, só as divisões onde está habitualmente.
  7. Ilumine a sua casa com lâmpadas mais eficientes e não deixe tudo ligado onde não está ou quando sai de casa.
  8. Recorra o mais possível a transportes públicos e ande a pé ou em veículos de duas rodas.
  9. Reduza o uso do seu veículo (gasolina ou diesel) ao que necessita mesmo; conduza mais devagar, evite os arranques bruscos e não deixe o motor ligado quando pára momentaneamente. Aliás uma excelente forma de encaixar, com vantagem para si, as permanentes subidas dos preços dos combustíveis.
  10. Ir para o estrangeiro em turismo? Viaje antes dentro do seu país, vá ver primeiro o que está perto e que ainda não conhece.
  11. Recuse o consumo pelo consumo, por exemplo faça durar mais o seu guarda-roupa, não o renove todos os anos.
  12. Procure alimentar-se com produtos produzidos mais perto de si (carne e peixe nacionais, por exemplo) e também dos verdes e fruta de estação, em vez de comer todo o ano as mesmas coisas, que terão de chegar até si vindas do outro lado do mundo, com produção desnecessária de emissões de gases de efeito de estufa.

Ideias a exigir uma maior mobilização de meios

  1. Substitua a sua caldeira a gás por uma bomba de calor que lhe dará calor no Inverno e frio no Verão; o custo energético será muito mais baixo do que tem hoje e o conforto acrescido.
  2. Invista na produção da sua própria energia – autoconsumo – com painéis solares fotovoltaicos. Hoje começam a aparecer cooperativas de produção e autoconsumo, com ofertas muito interessantes. Faça o mesmo para a produção de águas quentes sanitárias, com colectores solares térmicos. O tempo de recuperação do investimento é de pouco anos, pela energia que deixa de ter de comprar. E os painéis solares duram mais de 20 anos. É muito, muito melhor, do que ter o dinheiro parado no banco ou em investimentos tradicionais.
  3. Faça, logo que possa, a sua transição para o veículo eléctrico. No nosso país, 60% da electricidade já é de origem renovável (e o plano do Governo é o de chegar a 80% em 2030). Mas mesmo que assim não fosse isso seria vantajoso, já que as centrais termoeléctricas necessitam de três unidades de energia térmica fóssil para produzir uma de electricidade e os veículos eléctricos têm um rendimento de 95% a produzir uma unidade de movimento, enquanto o rendimento do seu motor é muito baixo e implica 5 unidades de energia térmica fóssil para produzir a mesma unidade de movimento. Isto é, mesmo no caso de não termos tanta contribuição renovável para a electricidade isso compensaria, do ponto de vista ambiental! E, acredite, depois de conduzir um veículo eléctrico, só vai é lamentar ter tardado tanto em ter um.
  4. Se pensar em construir uma nova casa ou em remodelar substancialmente a sua, pense nas soluções solares passivas, associadas à boa orientação da mesma, à ventilação natural e aos ganhos solares (úteis de inverno, a evitar no verão).
  5. Na escolha que fizer dos materiais que vai usar, pense que não são todos iguais, há materiais com um ciclo de vida muito mais sustentável do que outros. Pense, por exemplo, na utilização da madeira em vez da utilização do cimento!

Em conclusão

Indicámos passos importantes para o combate às alterações climáticas e que só dependem de si. E não estão associados a menos conforto ou a severas limitações da sua vida habitual. Pelo contrário: terá melhor qualidade de vida, mais conforto e menos gastos. E, já me esquecia, uma consciência tranquila por estar a fazer o que deve fazer!

E estará a dizer à juventude de hoje, que já começa a padecer do que se designa por “ansiedade climática”, que é ainda possível transitar para um Mundo Sustentável, mais justo e inclusivo e muito, muito melhor.