Rádio Observador

Eleições Europeias

O combate à abstenção começa hoje

Autor
  • Jorge Félix Cardoso

Não podemos esperar cinco anos para ver novo episódio desta série deprimente. O futuro do país, a longo prazo, não passa pela Assembleia da República, passa por Bruxelas e Estrasburgo.

As eleições europeias mais participadas dos últimos 20 anos em toda a Europa não colheram o mesmo entusiasmo em Portugal. Apesar do recorde de 2014, com 66% de abstenção, ser já elevadíssimo, conseguimos piorar a marca. 68% dos nossos eleitores não votaram nestas europeias.

As análises à abstenção estão feitas – têm 5, 10, 15 anos. Não precisamos de passar os próximos dias a fazer novas. O que é preciso é mudar. Precisamos de nos envolver ativamente na política europeia, fazendo uso das cada-vez-melhores ferramentas próprias para o efeito (por exemplo, subscrever esta newsletter, ou esta, ou esta). Precisamos de escrutinar os 21 eurodeputados recém-eleitos, para não depender de rankings quando chegar a vez de voltar a votar. Precisamos de lutar pelo espaço dos assuntos europeus nos media, obrigando-os a olhar para a União de outra forma. Precisamos de obrigar o nosso governo a explicar o que decidiu nas reuniões do Conselho, para que não possa dizer-nos “A” quando lá se bateu por “B”.

A luta pelo envolvimento de Portugal na Europa tem de começar já hoje. Não podemos esperar cinco anos para ver novo episódio desta série deprimente. O futuro do país, a longo prazo, não passa pela Assembleia da República, passa por Bruxelas e Estrasburgo. A qualidade da nossa representação determina a forma como a União Europeia responde aos problemas, e a forma como nós, dentro do bloco, somos tidos em conta. Não é coisa pouca.

Os problemas não foram discutidos, mas eles continuam lá. Aquele que mais discutimos foi mesmo o que não se materializou — a onda “extremista” rebentou longe da costa, com números semelhantes aos que tinha tido em 2014, mas sem o efeito surpresa. Temos cinco anos para resolver problemas tão graves como o envelhecimento e “encolhimento” da população europeia, as alterações climáticas, a regulação da tecnologia, o relançar da economia europeia ou a manutenção de uma ordem internacional estável. O melhor momento para começar é já amanhã, com a cimeira europeia para lançar o processo de escolha dos líderes das instituições. Que venham daí cinco anos de combate à abstenção.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

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