Não, não irei dissertar acerca dos malefícios para a saúde de adoptar a ideologia comunista, que redunda inevitavelmente na mais abjecta indigência. Refiro-me mesmo à nova estirpe de vírus oriunda da China, que está a avançar por aí fora e que, em rigor, se chama coronavírus. É tal a perfídia do comunismo que, não satisfeito em ser um sistema que não gera nada de bom, ainda é fortíssimo a reproduzir o que é péssimo. É mesmo tinhoso, este novo bicharoco. E depois, claro, com aquela clássica fúria igualitária, o sacana do vírus comunista não vai descansar enquanto não atacar toda a gente por igual.

As primeiras notícias diziam que o vírus tinha surgido num mercado. Imaginei eu que os comunistas se fossem agarrar a esta teoria com unhas e dentes. “Vêem? Lá está o maldito mercado, com a sua mão invisível, a pegar num vírus, a fazer-lhe tuning e a metê-lo nos organismos das pessoas!”, argumentariam os chineses. Mas, para minha surpresa, não. Primeiro atribuíram a culpa às cobras. E agora desconfiam dos morcegos. Como é possível ainda ninguém ter concluído o óbvio? Claro que a culpa é do Trump! Mais incrível, é o PCP ainda não ter dado esta dica ao seu congénere chinês. Só há uma explicação para os comunistas portugueses não terem avançado, logo, com esta teoria da conspiração. Para ninguém reparar no silêncio cúmplice que mantiveram enquanto o camarada José Eduardo dos Santos conspirava para roubar Angola, estão a fingir-se de mortos e não desejam interromper o jogo.

A propósito, foi muito bem visto por parte de Isabel dos Santos contratar os mesmos advogados do Cristiano Ronaldo. Pode ser que a justiça portuguesa pense: “Espera, tu queres ver que afinal estes Luanda Leaks também têm que ver com futebol. Eh, pá. Nesse caso vamos borrifar-nos para qualquer espécie de investigação. Arquiva. Próximo.” Ou muito me engano, ou cheira-me que Sindika Dokolo será apresentado como reforço do Mónaco em breve e que Isabel dos Santos já estará a aperfeiçoar o jogo aéreo para provar que é uma ponta de lança que pode vingar na Liga dos Emirados Árabes Unidos.

E já que falo de futebol, o CDS elegeu um novo líder, o Chicão. Foram precisos quase 50 anos de democracia em Portugal mas, enfim, temos um líder partidário com nome de central pernambucano. Fazendo jus à alcunha, que respira desporto-rei, o líder do CDS formou uma equipa directiva composta exclusivamente por homens. Ui, o que se deve andar a bufar para os lados da esquerda radical. A esta hora está tudo indignado a perguntar: “Mas onde é que andava o menino Francisco Rodrigues dos Santos quando a Associação LGBTI foi às escolas básicas promover a igualdade de género e sensibilizar os alunos para as diferentes orientações sexuais?” Parece que andava no Colégio Militar. Onde a Associação LGBTI promoverá palestras assim que o acampamento de Verão do Bloco de Esquerda acolher o Dia da Defesa Nacional.

A grande curiosidade acerca da nova liderança do CDS é saber como vai posicionar o partido perante a concorrência populista do Chega de André Ventura. Sem falsas modéstias, creio ter uma solução estupenda. Ora escutem. Primeiro, penso que era altura do CDS assumir, sem preconceitos, que o essencial do seu eleitorado é, como se costuma dizer em ciência política, fortemente abetalhado. A seguir, é só o partido abandonar de vez a designação de CDS-PP e passar a chamar-se CDS-Pipi. O que é que pode correr mal?

Enquanto o CDS define uma estratégia de sobrevivência, os portugueses definem estratégias para sobreviverem a mais um ano de governo de António Costa. Mas, atenção, admito que há boas medidas no Orçamento de Estado para 2020. Como a proposta do PS de tornar gratuito o procedimento de mudança da menção do sexo no registo civil e da consequente alteração de nome próprio. Imaginem o que isto vai trazer de poupança, por exemplo, a um casal com dois filhos. Com o que vão poupar quando o pai se tornar na outra mãe e a filha passar a ser o mano mais velho do agregado, poderão finalmente ir à Loja do Cidadão pedir uma 2ª via do livrete do carro e ainda sobra qualquer coisa para renovar o guarda-roupa.