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Passei uma boa parte dos tempos livres do mês de Janeiro a ler livros sobre o populismo. As razões são óbvias: o resultado de André Ventura nas eleições presidenciais e o suicídio político de Donald Trump, um suicídio quase a pedido, com os seus danos colaterais bem reais. Há, é claro, um mundo a separar Ventura e Trump, mas uma coisa é certa: ambos são populistas e ambos são populistas em regimes que se pretendem não-populistas. Mesmo que Trump tenha ocupado o poder, não criou – não pôde, nem presumivelmente quis criar — um regime populista, a distinguir de um movimento populista, que, esse sim, fomentou, e cujas franjas mais radicais, no seguimento de um discurso seu, grotescamente invadiram o Capitólio, a lembrar as lutas entre populares e optimates em Roma no fim da República.

Se Trump tinha de acabar assim, como dizem aqueles que juram conhecer todas as dobrinhas da sua substância individual na perfeição, é outra coisa. O facto é que assim acabou, e, no que há de essencial, exclusivamente por culpa própria. Depois de uma desenfreada e nunca vista perseguição que durou todo o seu mandato, os democratas podem enfim pôr Nancy Pelosi no papel do Professor Van Helsing e espetar um pau no coração de Trump, no seu caixão em Mar-a-Lago, deixando ali, pelo sim pelo não, “uma flor de alho benta e um fragmento de hóstia, a fim de, para sempre, lhe impedir o regresso”.

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