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Cem anos em que os canibais portugueses têm tentado instaurar a antropofagia em Portugal. Cem anos a convencer-nos das virtudes e dos benefícios de comer carne humana. Cem anos em que a maioria dos Portugueses se tem recusado a participar na refeição. Quer como comensal, quer como prato.

Para celebrar, o Grémio Português de Canibais espalhou pelo país bandeiras com o símbolo do canibalismo. A amarelo, sob um fundo cor de cabidela de miúdos de miúdos, estão os instrumentos de trinchar e desossar usados no amanho das carcaças que os primeiros canibais comeram. Quer dizer, em rigor, nos banquetes inaugurais não se comeu tudo. Como sempre que se estreia um prato para muita gente, ainda não havia a noção das quantidades, fez-se comida a mais e acabou por sobrar bastante. Sobretudo, braços e pernas de crianças, que tinham pouca carne e eram sensaborões. Salgaram-se alguns restos, que foram consumidos como snacks, mas a verdade é que houve muito desperdício. Era o princípio do sonho, justifica-se.

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