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O ano de 2020 terá certamente poucas coisas boas para recordar. No entanto, os livros lidos ao longo deste ano em que o vírus obrigou o mundo a estar em casa ficarão na memória. Este ano li mais do que o costume, não necessariamente por causa da pandemia – até porque, quem me conhece, sabe que já estou em semi-confinamento há anos – mas porque tomei, finalmente, a decisão sensata de eliminar as minhas contas nas redes sociais. Em Março, nas primeiras semanas de confinamento, o nível de insulto e debate sobre a pandemia nas redes atingiu o paroxismo, levando-me a abandoná-las de vez. O balanço? Não poderia ser mais positivo. Quaisquer benefícios profissionais da presença nas redes, e existem sem dúvida, são claramente ultrapassados pela higiene mental de não estar exposto continuadamente ao bas-fond da sociedade. Esta crónica é a minha última publicação no Observador antes do Natal. Como não pode haver Natal sem livros nos presentes, deixo aqui uma lista dos livros dos quais tirei mais prazer em 2020.

James Wood: Selected Essays, 1997-2019. Uma recolha dos melhores ensaios de James Wood sobre literatura, onde não faltam os temas clássicos que permeiam toda a sua obra, mesmo quando subliminarmente: o problema da Teodiceia, a importância da narrativa limpa e sem ranço retórico, o viver entre dois países separados por um oceano e a mesma língua. Tive o privilégio de ser aluno de Wood durante 3 semestres em Harvard e, ao ler estes ensaios, parece que consigo ouvir a sua voz a dizer no final da aula: “we only have ten minutes left, so why don’t we just read for pleasure?”.

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