Quando, às 23h59 do dia 31 de dezembro de 2019, pegávamos nas nossas 12 passas a enumerar os maiores desejos para 2020, creio que ninguém contava estar hoje, a menos de um mês de distância de 2021, ainda com tantas restrições na normalidade das nossas vidas quotidianas. Em vésperas do novo ano, ainda ninguém sabe como será vivida a época festiva que se aproxima, mas de uma coisa temos certeza – as compras de Natal serão feitas, em grande parte, online.

Este ano foi desafiante para todos, colocando-nos longe, mas em contacto permanente não só com os nossos colegas, amigos e família, mas também com as nossas marcas de eleição. Da comida à roupa, passando por brinquedos e cultura, num curto espaço de tempo (quase) tudo passou a ter uma segunda vida online. Tanto do lado do consumidor, como do vendedor, foi necessária uma readaptação rápida e firme a esta nova realidade, que permitisse às lojas uma oportunidade de diminuir ao máximo as quebras sentidas nas vendas.

O resultado desta transformação começou a ser sentida logo em março. Nos primeiros meses da pandemia, o número diário de novos pedidos de domínios online e de adesões a pagamentos por referência multibanco mais do que triplicou. O relatório anual de e-commerce dos CTT aponta, inclusivamente, para um crescimento entre os 40% e os 60% no comércio eletrónico nacional este ano, fruto da alteração dos hábitos de compra dos Portugueses.

Se bem que o comportamento do consumidor online não se alterou significativamente: continuamos a valorizar processos de compras fáceis e ágeis, versatilidade nos métodos de pagamento, portes de envio e devolução gratuitos. E o número de consumidores online aumentou drasticamente.

No entanto, não posso deixar de sublinhar que estes números não incluem dados sobre uma das maiores épocas de consumo anual. A pergunta que se coloca é: apesar destes aumentos, será que Portugal, lojas e clientes, estão preparados para o Natal?

Na minha opinião, a resposta é sim (apesar de cautelosa).

Em primeiro lugar, e ainda de acordo com este relatório, o consumidor online português compra maioritariamente à China, seguindo-se a Espanha e o Reino Unido. Os bens comprados são, essencialmente, tecnológicos, sendo o fator preço aquele que mais pesa na decisão final, sacrificando o tempo de entrega destes bens. Ora, no Natal, não só as categorias que serão compradas não se irão centrar em tecnologia, como o fator “tempo de entrega” passa a ser primordial. Creio que o embalamento terá igualmente um valor acrescido, sendo que muitos serão os clientes que procuram enviar diretamente a sua compra ao destinatário final, como prenda.

Outro ponto importante é a onda crescente de incentivo à ajuda da economia portuguesa, sendo que muitos procuram ajudar pequenas lojas e comerciantes nacionais, comprando pequenas lembranças de Natal, mesmo que o custo seja superior. Muitas destas lojas não têm conhecimento nem dinheiro para investir na construção das suas próprias lojas, virando-se assim para a comercialização em plataformas agregadoras online.

Deduzo, assim, que muitos portugueses comecem a explorar marketplaces nacionais, como o dott.pt, que oferecem, num único site, uma gama de marcas e lojas portuguesas bastante rica, sem sacrificar a simplicidade e confiança da experiência de navegação e compra.

Outro eixo de crescimento poderá vir de plataformas como a OLX e marketplace Facebook, que permite ao consumidor comprar diretamente a outro particular, artigos com pouco ou nenhum uso, possibilitando, assim, adquirir bens a um preço mais baixo.

Outra preocupação, que estará certamente na mente dos consumidores, será a entrega e o envio das compras de Natal. Prevejo um aumento de procura de soluções como envios de encomendas sem sair de casa, entregas em curto espaço de tempo – um ou dois dias -, ou mesmo imediatos.

Em resumo, se por um lado, paira a incerteza sobre um Natal em família ou mais virtual, não há dúvida que o crescimento do consumo online dos portugueses será, não só substancial, como irá perdurar no tempo.

Com 15 anos de experiência em Marketing Digital e E-commerce,  Inês Dantas Coelho dedicou grande parte da sua carreira à criação e implementação de estratégias digitais omnicanal, centradas a 100% no cliente e respetiva jornada, sendo neste momento responsável pela área de Crescimento Digital nos CTT no departamento Digital, Transformação e Inovação. Sendo uma apaixonada por esta área, trabalhou tanto em empresas internacionais, como dedicou parte da carreira à ajuda de pequenas e médias empresas no desenvolvimento de uma presença digital sustentável mas simples, que permita capitalizar ao máximo orçamentos mais pequenos. Foi-lhe, assim, possível desenvolver projetos em áreas como a hotelaria, a grande distribuição, moda e tecnologia, construindo uma pegada digital desde a aquisição até à fidelização dos utilizadores, passando pela navegação e conversão e, deste modo, trabalhar de forma holística estratégias de SEM, Social Media, SEO, construção de sites, e-commerce, data Analysis, Heatmaps, email Mkt, entre muitos outros.

O Observador associa-se à comunidade Portuguese Women in Tech para dar voz às mulheres que compõe o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.