1. O malogrado John F. Kennedy foi presidente dos Estados Unidos durante cerca três anos, tendo sido assassinado em novembro de 1963. Muitos dos alegados feitos são realisticamente diminutos face ao curto tempo em que esteve na Casa Branca. Há, contudo, uma decisão que perdurou no tempo e que permitiu compreender um momento fulcral do século XX: a crise dos mísseis de Cuba — que por pouco não terminaram numa III Guerra Mundial.

Durante o verão de 1962, Kennedy decidiu montar um sistema de gravação na Casa Branca e na sua própria secretária, na Sala Oval. Com a autorização dos serviços de informações, o presidente tinha inclusive um sistema de gravação dos seus telefonemas.

Foi este sistema de gravação, ativado pelo próprio Kennedy no que à Sala Oval dizia respeito, que permitiu ao historiador Ernest R. May e ao diplomata Philipe D. Zelikow escreverem o livro “The Kennedy Tapes” em 1997 — após as respetivas gravação terem sido desclassificadas pelo Governo. Tem 728 páginas e relata todos os diálogos (sim, diálogos, ipsis verbis) que o presidente John Kennedy teve com todos os membros do seu Governo (com destaque o vice-presidente Lyndon B. Johnson, o secretário de Estado Dean Rusk, o secretário da Defesa Robert McNamara e restantes membros da administração). O mundo esteve à beira de uma Guerra Nuclear e, quem quiser, pode saber tudo ao mais ínfimo pormenor lendo a obra de May e Zelikow — uma homenagem pura às virtudes da democracia liberal que defende a memória histórica.

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