Sempre pragmáticos os ingleses consideram que o Orçamento do Estado é uma responsabilidade exclusiva do executivo, pelo que este não é minimamente discutido no Parlamento.

Já a Conta do Estado é escrutinada pelos deputados britânicos até à exaustão. É que os ingleses não vão em truques rascas como os de Mário Centeno, que apresenta um Orçamento do Estado que é uma verdadeira História de Encantar, para depois se socorrer das cativações para fazer o que bem entende. Tudo bem longe dos olhos democráticos do Parlamento.

O ciclo orçamental iniciado com a geringonça de António Costa, e dos demais partidos da extrema esquerda, mostrou um Ministro das Finanças ‘espertinho’, que começou por sobrecarregar os impostos indiretos para ‘aliviar’ os diretos, ou seja, aqueles que os contribuintes e eleitores acreditam (numa fé idiota) que lhes põe mais dinheiro nos bolsos.

Fosse o nosso povo instruído nas regras básicas do fisco e da gestão macro de um país, e a esperteza saloia do Mário Centeno já o teria levado de regresso ao Banco de Portugal onde – como avaliava Vítor Gaspar – era um quadro obscuro e sem coragem. Um entre aquelas centenas de economistas que o verdadeiro albergue espanhol em que o BP se tornou tem ocupados genericamente a fazer estudos, que na melhor das hipóteses interessam aos próprios e talvez ao colega do gabinete ao lado.

O debate do Orçamento de Estado para 2019 é, como todos os anos, uma liturgia bacoca, destinado a debater irrelevâncias . Mas ainda se agravou nos últimos anos com o esquema da geringonça que levou o PS – apenas o segundo partido mais votado, já que o PSD foi o primeiro – a fazer das discussões orçamentais a uma verdadeira tourada.

Depois da Ministra da Cultura ter dito que a descriminação negativa, em sede de IVA, das touradas era uma questão de civilização caiu o Carmo e a Trindade.

A bancada do PS afirmou ir apresentar uma proposta de alteração para que a tourada tivesse o IVA reduzido de 6% como os demais espetáculos.

António Costa ainda começou por balbuciar que em matérias orçamentais não pode haver liberdade de voto. Depois meteu a viola no saco pois o Parlamento tem a faca e o queijo na mão, e o peso pesado Carlos César mostrou não estar disponível para ceder.

Em suma: se Costa não gosta do IVA das touradas a 6 % e gostava de defender Graça Fonseca, a sua terceira Ministra da Cultura , só lhe restava uma solução que era sair do Governo. Só que isso é que o PM menos quer, nem que seja desautorizado pela bancada parlamentar do seu próprio partido, e à frente de todos os portugueses.

Com uma pirueta de acrobata vigarista horas depois de ter uma entrada de leão, o próprio António Costa assumia que a medida proposta pelo PS não desvirtuava o seu quarto Orçamento do Estado. Em resumo, o PM ficou de bolinha baixa e não piou.

Mas o Orçamento do próximo ano vai ser especial. Tem, entre outras, duas dificuldades muito reais: ter de suportar o ano eleitoral de 2019 e o visível abrandamento da Economia da Europa e de Portugal.

A tarefa do grande “cativador” promete ser bem difícil em 2019. Tão difícil que o sorriso com que se pavoneia o (inexistente) Presidente do Eurogrupo tem tudo para esmorecer.

Jornalista. Assessora de Pedro Passos Coelho nos XIX de XX governos constitucionais