Cristianismo

O Papa Francisco, o ir à igreja e o ser ateu /premium

Autor
584

O que o Papa afirmou foi que se é para odiar não vale a pena ir à Igreja. Que se é para odiar mais vale ser ateu porque para Francisco, por muito que nos custe entender, os ateus têm tendência a odiar

De acordo com os jornais e televisões na primeira audiência geral deste ano, o Papa Francisco teria dito que é melhor ser ateu que ir à igreja e odiar os outros. Achei estranho que o Papa tivesse afirmado tal coisa, porque dito dessa forma daria a entender que os ateus, contrariamente aos cristãos, não odeiam os outros. Assim, tive o cuidado de procurar as verdadeiras palavras proferidas pelo Papa. Foram estas:

Quantas vezes vemos o escândalo criado por aquelas pessoas que vão à igreja e ficam lá todo o dia, ou vão lá todos os dias, e depois vivem odiando os outros ou falando mal das pessoas. Isto é um escândalo! É melhor não ir à igreja: vive assim, como ateu. Mas, se vai à igreja, viva como filho, como irmão, e dê um verdadeiro testemunho, não um contratestemunho”.

Não é a primeira vez que as palavras deste Papa são deturpadas para que façam ricochete contra a Igreja e os cristãos. Trata-se de um comportamento que agrada a uma certa esquerda que ainda tem atravessada o papel de João Paulo II na derrocada das ditaduras comunistas. Para tal, nada melhor que um Papa questionar aquilo em que os católicos acreditam, pô-los em xeque e dizer que os outros, entre os quais essa esquerda se incluiria, são o exemplo a seguir. A verdade, no entanto, é que o Papa não disse nada disso. Não disse que se quem é cristão odeia os outros deverá passar a ser ateu deixando, dessa forma, de odiar. Pelo contrário, o que afirmou foi que se é para odiar não vale a pena ir à Igreja. Que se é para odiar mais vale ser ateu porque para o Papa Francisco, por muito que nos custe compreender, os ateus têm tendência a odiar. Ao contrário dos cristãos que, se forem verdadeiros cristãos, têm tendência a amar.

Hesitei em escrever esta crónica porque, até pela idade que tenho e pelas experiências que felizmente passei, não me revejo totalmente na Igreja tal como esta se encontra estruturada. Sem me querer arrogar de qualquer conhecimento teológico, ciência que domino muito pouco para não dizer que não domino de todo, posso definir-me como um católico com um entendimento próximo do de Morris West. Como podem ver sou uma pessoa simples nesta matéria. Mas se há algo que me custa aceitar e que me levou a escrever sobre este assunto é a deturpação sistemática dos factos e das palavras para que se atinja um fim. E a forma como tal está a ser feito sempre que o Papa Francisco fala é um excelente exemplo do cuidado que todos nós devemos ter quando lemos as notícias que nos servem de bandeja.

Advogado

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Cristianismo

A Ucrânia e os valores cristãos da Europa

Pavlo Klimkin
373

Na Rússia ortodoxa nunca houve liberdade, democracia, abertura, nem tolerância como valores. Portanto, a Rússia não pertence à civilização da Europa, apesar de todas as semelhanças externas. 

Igreja Católica

O Papa, o bispo e o padre /premium

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
1.278

«Isto é um escândalo! É melhor não ir à igreja: vive assim, como ateu. Mas, se vai à igreja, […] dê um verdadeiro testemunho, não um contratestemunho».

Cristianismo

O natal, os três reis magos e outras fantasias

Donizete Rodrigues
144

O mito dos três reis magos é apenas uma representação simbólica, um modelo explicativo de grande significado para reforçar a importância de Jesus como salvador e unificador de toda a humanidade

Cristianismo

A douta ignorância dos sábios /premium

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
1.183

Abundam os improvisados comentários teológicos, cozinhados à pressão na Bimby da opinião pública. Já faltou mais para um Prós e Contras sobre a virgindade de Maria …

Jesus Cristo

Narrativas evangélicas do Natal

Anselmo Borges
159

A Igreja só se justifica enquanto vive, transporta e entrega a todos, por palavras e obras, o Evangelho de Jesus, a sua mensagem de dignificação de todos, mensagem que mudou a História.

Cristianismo

Sobre a Virgindade de Maria, espiritual e física

Álvaro Balsas, sj
958

A virgindade de Maria, espiritual e física, não se opõe à racionalidade humana. Mas sendo um “fenómeno” irrepetível, não entra no conjunto de fenómenos que podem ser estudados pelas ciências naturais.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)