Nos últimos meses, a necessidade de estar conectado com a nossa família, amigos, colegas de trabalho, clientes, fornecedores etc. significou um drástico aumento do tráfego suportado pelas redes. Todos nós, face à situação em que mundo se encontra, estamos a contribuir para esse aumento. Jogos on-line, visualização de séries e filmes, teletrabalho em massa, educação à distância, aspetos que colocaram à prova a capacidade das nossas redes e serviços de telecomunicações.

Os registos do início de maio, quando comparados com os das primeiras semanas de março, são elucidativos. Desde logo, com um inevitável aumento no tráfego de dados, a rondar os 55%. Numa análise mais aprofundada, o tráfego de voz sofreu um crescimento de 16%, enquanto a voz fixa cresceu 24% e a voz móvel 15%.

Dados de abril apontam para um aumento no uso da banda larga fixa em cerca de 48%, e de 18% no tráfego de dados móveis. Somado a tudo isto, também as plataformas de streaming seguiram a tendência, com um crescimento mínimo de 80%, face ao período pré-Estado de Emergência. E para maio não se prevê especial variação nesses valores.

Aliás, a expetativa de 30% dos consumidores é que aloquem ainda mais tempo à leitura de notícias online, à troca de mensagens de texto ou para jogar.

Além do crescimento do tráfego, as redes tiveram que suportar e adaptar-se a outras mudanças, num curtíssimo espaço de tempo. Assim, houve um grande movimento de tráfego, enquanto os picos de tráfego deixaram de ocorrer no centro das cidades e nas áreas de escritórios, e direcionaram-se para as redes fixas residenciais, onde há um uso massivo de redes Wi-Fi, com uma topologia e arquitetura de rede muito diferentes.

E as redes responderam magnificamente.

Agora, é tempo de pensar no pós-crise, um momento chave que deve servir como fonte de aprendizagem e reflexão. A crise causada pelo coronavírus demostra a necessidade de termos acesso a uma cobertura 4G que atinja 100% da população. E da mesma forma que assumimos que a conectividade deve ser um direito fundamental de todos os cidadãos, também devemos deixar claro que a inovação e a robustez de redes de telecomunicações são fundamentais para enfrentar esse tipo de situação. E não apenas na comunicação ou no lazer, mas também no futuro das economias.

E o 5G significará mudanças de enorme impacto nas empresas e na sociedade, com o desenvolvimento de serviços anteriormente inimagináveis. Acreditamos que em Portugal esta tecnologia será a oportunidade potenciarmos uma indústria mais automatizada e inteligente.

Além de setores como o automóvel, portuário ou logístico, também o retalho, com uma boa distribuição e implantação de 5G, pode permitir que em situações de crise o impacto na economia não seja tão profundo. O e-Commerce terá a oportunidade de ganhar ainda mais relevância, por exemplo, com a utilização de drones para o transporte e entrega das encomendas efetuadas. E as fábricas não terão necessariamente que parar, pois as produções agrícolas poderão continuar a ser realizadas com veículos inteligentes, sem quaisquer riscos de escassez no abastecimento dos mercados. Estes são apenas algumas possibilidade, já uma realidade, em especial na Ásia.

Sem esquecer que o 5G possibilitará o desenvolvimento de serviços que garantam a nossa saúde. Esta é uma tecnologia essencial para operacionalizar aplicações que ajudem a identificar novos casos de coronavírus. E, é claro, permite a monitorização em tempo real de infeções, bem como a utilização da telemedicina e atendimento remoto a pacientes, para, com isso, evitar o colapso dos serviços de saúde.

Por todas essas razões, e depois de ultrapassarmos o primeiro impacto psicológico da declaração de pandemia de covid-19, é absolutamente imperativo voltar a abordar de forma séria e sustentada os trâmites de implementação rápida, eficaz, inteligente e lucrativa do 5G em todo o país. Nestes tempos de incerteza, vários países da UE, incluindo Portugal, decidiram adiar os respetivos leilões. E, embora seja uma decisão compreensível, é fundamental que a entrada do 5G nas nossas vidas não demore mais do que o tempo estritamente necessário. Felizmente, as palavras governamentais, vão no sentido de retomar o quanto antes o processo da sua implementação em Portugal.

Devemos seguir o mesmo caminho que os EUA, ou a Austrália, cujo objetivo é acelerar a implementação do 5G no mais curto espaço de tempo, para lidar da melhor forma com crises futuras. De facto, países que são unanimemente considerados como exemplos na contenção do vírus, como a Coreia do Sul ou Taiwan, fazem-no graças à tecnologia das suas redes 5G, que permitem a monitorização em tempo real da transmissão do coronavírus. Por esse motivo, é tão importante lançar para linha da frente todas as ferramentas disponíveis para superar e começar a projetar uma nova realidade. Só assim poderemos fazer face a hipotéticas crises que surjam ou refazer a nossa economia, sob premissas mais sustentáveis e numa visão a longo prazo.