Política

O Povo é sempre o mesmo

Autor
228

Trump e Bolsonaro não apareceram de gestação expontânea, antes pela sementeira criada pelos partidos e políticos que nada fazem, mas que dizem que tudo deve mudar para que, afinal, tudo fique na mesma

Cansa já – e muito – os gritos contra os populistas, a quem também gostam de apelidar de fascistas.

Num artigo recente José Manuel Fernandes dizia que qualquer dia puxa da pistola (metaforicamente) se voltar a ouvir essa lenga-lenga. É o que dá vontade. E dá, em 1º lugar, porque se os populistas – ou os verdadeiros fascistas – ganham terreno é porque o establishment político – os supostos iluminados – têm vindo a falhar há décadas. Como?

  1. Não mudando as classes dirigentes, que se eternizam.
  2. Não cumprindo – com a maior desfaçatez – as promessas eleitorais que fazem, quando vão a votos.
  3. Não fazendo nada, para que a corrupção, seja de facto contida e combatida.
  4. Aceitando (aliás promovendo), numa paródia de democracia, que a mesma se esgote na urna onde se coloca o voto.
  5. Criando uma ideia – falsa – de que são os detentores únicos do conhecimento (acompanhados pelos media que vivem do poder e por muitos comentadores do burgo) nas matérias da governação.
  6. Não “descendo à terra” e desprezando os anseios e receios do povo, entendo que só eles é que sabem o que o povo, realmente, quer.
  7. Impondo a tirania do politicamente correcto
  8. Promovendo o relativismo cultural
  9. Permitindo à extrema esquerda ter uma influência maior do que aquela que os seus votos representam.
  10. Delapidando as tradições que nos fizeram ser o que somos, nomeadamente enquanto Nação.

Não faria sentido um mea culpa, uma reflexão, uma conversão? Pois nada fazem. O que fazem é culpar os protagonistas (Trump e Bolsonaro, p.ex.) e, de caminho, o povo que vota.

Ora, o povo que vota é o mesmo de sempre. Temos, portanto, esta análise profunda que é a de que, quando o povo vota “bem”, ou seja, de acordo com o politicamente correcto, o povo é soberano, é conhecedor, é sábio, etc. Quando vota nos populistas, é burro, manipulado, ignorante, etc.

Só que o povo é exactamente o mesmo. E esse povo – transversalmente – vota em populistas. Analistas e comentadores gostam de acantonar esses votos, dizendo, por ignorância ou má fé, que quem votou em Trump ou Bolsonaro foram os ricos, ou os iletrados, ou os afectos a uma religião ou a uma etnia. No entanto, uma breve análise prova que quem neles votou, foram ricos e pobres, brancos e negros, licenciados e não licenciados, homens e mulheres, classes médias, urbanos e provincianos, ateus e agnósticos, e também crentes. Foi de tudo, senão não ganhavam as eleições.

A seguir vem o ainda mais inacreditável que é criticar os populistas por cumprirem as promessas eleitorais! Podemos estar em desacordo com as medidas, mas criticar quem quer cumprir aquilo que prometeu, aos que nele votaram, é não ver o problema, é cavar o buraco em que nos meteram e é continuar a dar trunfos aos ditos populistas.

Trump e Bolsonaro não apareceram de gestação expontânea. Apareceram, e mais vão aparecer, pela sementeira que foi criada pelos partidos e políticos que nada fazem, mas que dizem que tudo deve mudar (para que, afinal, tudo fique na mesma).

Como optimista, espero que esta onda traga a reflexão necessária aos poderes — ainda instalados — para mudarem a sua maneira de ser. Nos EUA o partido democrata está a reflectir para compreender as razões de queixa daqueles que temem a imigração. E por cá? Faz o PS algum mea culpa de nos ter levado à falência? De ter tido no seu seio uma grupeta de corruptos? Não, não faz. Aliás mantém no Governo quem com os corruptos conviveu, querendo que acreditemos que nem incompetentes eram (apesar de não se terem apercebido de nada). E o PSD? Depois de ter tido um primeiro-ministro que conseguiu guiar o país por uma das suas grandes tormentas, faz tudo para esquecer esse passado do qual se devia orgulhar, não pensando sequer no povo que, apesar das dificuldades passadas, lhes fez ganhar as eleições (sim, o povo é tão burro que, mesmo sofrendo, votou em quem lhe fez mal…). Continuem assim e depois admirem-se.

Militante do CDS-PP. Politólogo

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Governo

Metternich e o familygate

Pedro Barros Ferreira

Mais leis? Valha-me Deus! Já estou a ver a discussão em comissão e em plenário, as audições às Ordens e aos Provedores (não esquecendo sindicatos), as alterações que o Constitucional vai mandar fazer.

Estados Unidos da América

Lá como cá /premium

Pedro Barros Ferreira

Podiam aprender que a “verdade” absoluta que é fornecida pela CNN tem outros ângulos. Mas nada disso interessa quando já se elegeu o inimigo. E se o inimigo se presta a figuras ridículas, melhor ainda

Bloco de Esquerda

Les uns et les autres

Pedro Barros Ferreira

Os partidos da direita democrática devem ater-se no que importa e não em discursos patetas que levam ao afastamento das mulheres que tenham um pingo de inteligência, ou dos ateus, ou dos homossexuais.

Política

A protecção da família em Portugal

Luiz Cabral de Moncada
214

A família, enquanto célula principal da sociedade e berço da moral, como bem se sabe na Calábria, está mais garantida do que nunca. Nunca será esquecida pelos partidos quando no poder político.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)