Crónica

O Programa do Marcelo /premium

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Se em Portugal sempre tivemos razões de queixa da ingerência dos governos na programação do canal público, agora temos um Presidente que se intromete na programação dos canais privados. Refrescante.

À entrada de um ano de grandes decisões, com eleições europeias e legislativas, o futuro da geringonça em aberto e a perspectiva do PSD fechar, eis que a agenda política é marcada pela Cristina e pelo Goucha. E pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que telefonou para o programa da Cristina para desejar boa sorte e dar um pouco de afecto. Houve quem considerasse a atitude do Presidente absolutamente despropositada — ainda que muito afectuosa –, mas é gente que não conhece nada de História. Caso contrário saberiam que é perfeitamente normal, em ocasiões desta importância, um Presidente fazer um telefonema na televisão. Basta lembrar o Presidente Nixon ao telefone com os astronautas da Apollo 11 aquando da chegada do homem à Lua, por exemplo. Mas no Nixon notava-se muita falta de afecto.

Aparentemente, o Presidente Marcelo fez o telefonema para a Cristina para compensar ter estado dias antes no “Você na TV” do Goucha. Emissão do programa que, aliás, devia ter sido anunciada com o seu título completo: “Você na TV, Presidente Marcelo? Num Programa da Manhã? Ainda por Cima do Canal Que o Projectou para a Presidência da República? Talvez Não Faça Sentido”. Um pouco longo, mas lá que fica no ouvido fica. Diga-se o que se disser, Marcelo Rebelo de Sousa inaugurou uma nova forma da fazer política. Se em Portugal sempre tivemos razões de queixa da ingerência dos governos na programação do canal público, agora temos um Presidente da República que se intromete na programação dos canais privados. Refrescante.

Mas a semana da alta política nos programas da Cristina e do Goucha não ficou completa sem a entrevista deste a Mário Machado. Do ponto de vista da estratégia de programação da TVI fez todo o sentido. Num programa que é basicamente destinado a senhoras idosas nada melhor que apresentar ideias bem velhas. Aliás, quem receava que o movimento liderado por Mário Machado chegasse um dia à Assembleia da República ficou mais tranquilo: aquelas ideias são tão velhas, tão velhas, que claramente já não conseguem ir a lado nenhum. Agora, se é pouco provável que Mário Machado chegue ao Parlamento, a verdade é que em termos de tempo de antena já pontificou no mesmo espaço televisivo que o Presidente da República. Um feito, para quem defende ideias do tempo da outra senhora. E é nacionalista. Ou seja, pode dizer-se que é alguém que defende ideias do tempo da outra senhora cá de casa. Enfim, talvez seja um pouco forçado.

Bom, mas a actualidade política portuguesa não vive só destes grandes temas. Também tem havido faits divers. Neste capítulo, parece que a OCDE está a elaborar um relatório sobre a economia portuguesa que aborda a questão — pasme-se — da corrupção. Naturalmente chocado com a torpe insinuação que há corrupção em Portugal, o Governo tem pressionado a OCDE para retirar esse capítulo do documento. Quer dizer, o Governo não está chocado. Acontece é que, com os casos de corrupção em investigação, a ir para julgamento, ou com ordem de prisão a envolver Manuel Pinho, José Sócrates e Armando Vara, os membros do Governo devem ter bem presente o popular adágio: “Quem tem corrupção tem medorrupção”.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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