Crónica

O Programa do Marcelo /premium

Autor
170

Se em Portugal sempre tivemos razões de queixa da ingerência dos governos na programação do canal público, agora temos um Presidente que se intromete na programação dos canais privados. Refrescante.

À entrada de um ano de grandes decisões, com eleições europeias e legislativas, o futuro da geringonça em aberto e a perspectiva do PSD fechar, eis que a agenda política é marcada pela Cristina e pelo Goucha. E pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que telefonou para o programa da Cristina para desejar boa sorte e dar um pouco de afecto. Houve quem considerasse a atitude do Presidente absolutamente despropositada — ainda que muito afectuosa –, mas é gente que não conhece nada de História. Caso contrário saberiam que é perfeitamente normal, em ocasiões desta importância, um Presidente fazer um telefonema na televisão. Basta lembrar o Presidente Nixon ao telefone com os astronautas da Apollo 11 aquando da chegada do homem à Lua, por exemplo. Mas no Nixon notava-se muita falta de afecto.

Aparentemente, o Presidente Marcelo fez o telefonema para a Cristina para compensar ter estado dias antes no “Você na TV” do Goucha. Emissão do programa que, aliás, devia ter sido anunciada com o seu título completo: “Você na TV, Presidente Marcelo? Num Programa da Manhã? Ainda por Cima do Canal Que o Projectou para a Presidência da República? Talvez Não Faça Sentido”. Um pouco longo, mas lá que fica no ouvido fica. Diga-se o que se disser, Marcelo Rebelo de Sousa inaugurou uma nova forma da fazer política. Se em Portugal sempre tivemos razões de queixa da ingerência dos governos na programação do canal público, agora temos um Presidente da República que se intromete na programação dos canais privados. Refrescante.

Mas a semana da alta política nos programas da Cristina e do Goucha não ficou completa sem a entrevista deste a Mário Machado. Do ponto de vista da estratégia de programação da TVI fez todo o sentido. Num programa que é basicamente destinado a senhoras idosas nada melhor que apresentar ideias bem velhas. Aliás, quem receava que o movimento liderado por Mário Machado chegasse um dia à Assembleia da República ficou mais tranquilo: aquelas ideias são tão velhas, tão velhas, que claramente já não conseguem ir a lado nenhum. Agora, se é pouco provável que Mário Machado chegue ao Parlamento, a verdade é que em termos de tempo de antena já pontificou no mesmo espaço televisivo que o Presidente da República. Um feito, para quem defende ideias do tempo da outra senhora. E é nacionalista. Ou seja, pode dizer-se que é alguém que defende ideias do tempo da outra senhora cá de casa. Enfim, talvez seja um pouco forçado.

Bom, mas a actualidade política portuguesa não vive só destes grandes temas. Também tem havido faits divers. Neste capítulo, parece que a OCDE está a elaborar um relatório sobre a economia portuguesa que aborda a questão — pasme-se — da corrupção. Naturalmente chocado com a torpe insinuação que há corrupção em Portugal, o Governo tem pressionado a OCDE para retirar esse capítulo do documento. Quer dizer, o Governo não está chocado. Acontece é que, com os casos de corrupção em investigação, a ir para julgamento, ou com ordem de prisão a envolver Manuel Pinho, José Sócrates e Armando Vara, os membros do Governo devem ter bem presente o popular adágio: “Quem tem corrupção tem medorrupção”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Humor

Eu canto, tu cantas, ele canta mal mas mal /premium

Tiago Dores
2.475

Foi uma lição de política, pois ao levar para o Programa da Cristina a mulher, os dois filhos e a nora, António Costa exemplificou na perfeição como funciona o Conselho de Ministros no governo do PS.

PCP

Patrão santo, funcionário posto fora da loja /premium

José Diogo Quintela
566

Estou chocado. Nunca pensei que o PCP não cumprisse a lei laboral. Mas o PCP está ainda mais chocado: nunca pensou ser obrigado a cumprir a lei laboral. É que escrevê-la é uma coisa, obedecê-la outra.

Crónica

Mais 5 dias inúteis /premium

Alberto Gonçalves
1.107

Claro que o ar do tempo começa a tornar-se irrespirável e que uma sociedade fundamentada na desconfiança e na delação não promete um futuro risonho. Claro que me apetecia fazer queixa. Mas a quem?

Crónica

A “familiar de referência” /premium

Maria João Avillez
229

A altíssima competência médica de Santa Maria releva também do milagre da dedicação. Deve haver poucos sítios no mundo onde se possa entregar assim um coração.

PCP

A História os absorverá /premium

José Diogo Quintela
2.304

Termos partidos leninistas e trotskistas a conviver com pessoas comuns é um luxo para o cidadão português interessado em História. É como um paleontólogo ter um Brontossauro de estimação no quintal.

Global Shapers

"É preciso dar tempo ao tempo" /premium

Diogo Almeida Alves

É necessário encontrar o equilíbrio entre o que fazemos e o que queremos fazer, respeitarmos o tempo e o timing dos vários projetos pessoais e profissionais e sentir o bem-estar emocional e humano.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)