Portugal precisa de um PSD reformista, promotor do progresso e do desenvolvimento, capaz de idealizar e encetar as reformas estratégicas que o País necessita. Para isso o PSD tem de trabalhar muito. Tem de atrair as melhores pessoas e constituir grupos de estudo de alta qualidade, evitando perder-se em lutas de egos e de lugares.

Esses grupos de estudo devem ser divididos de acordo com as prioridades definidas pelo partido. As propostas resultantes dessas análises devem ser debatidas com a sociedade civil, nomeadamente com pessoas relevantes para cada área, gerando uma mobilização da sociedade para o debate político. Esse estudo, nomeadamente de casos internacionais de sucesso, não só contribuirá com boas propostas como permitirá fazer uma oposição mais acutilante e informada, contribuindo ainda para um programa eleitoral que prepare o partido para as próximas eleições.

As prioridades devem ser grandes causas, desde logo a natalidade, mas também a energia, a sustentabilidade e a preservação do ambiente; o combate às desigualdades (incluindo educacionais, económicas, de género, de raça, de oportunidades, entre outras); a reforma e modernização da administração pública; a defesa da soberania, dos valores e da cultura Portuguesa; a aposta na agricultura e no mar; a economia social; a mobilidade, a habitação e as infraestruturas; a credibilização das instituições (incluindo o combate à corrupção); o crescimento económico, o empreendedorismo e a inovação; a reforma da educação; e o acesso e qualidade do sistema nacional de saúde.

Em primeiro lugar, o País precisa de um partido que coloque a natalidade no centro de toda a sua política. Esta constitui um fator crucial para inverter a pirâmide demográfica e melhorar a sustentabilidade do nosso sistema de pensões, mas também para assegurar uma equilibrada renovação de gerações. A promoção da natalidade não se conseguirá apenas com medidas avulsas, mas sim com um programa integrado que promova o crescimento e desenvolvimento económicos, a melhoria dos salários, a qualidade e disponibilidade do sistema nacional de saúde, bem como da educação e dos transportes, sem menosprezar os incentivos fiscais e legais necessários, nomeadamente para criar um equilíbrio entre as consequências laborais para a mulher e para o homem quando têm um filho (para que as empresas não sejam tentadas a preferir homens a mulheres numa fase tão importante como o inicio da carreira).

Para colocar a economia a crescer acima da média Europeia, Portugal precisa de um partido que apresente políticas ativas de incentivo ao investimento empresarial, porque este gera empregos, dinamiza a economia e é crucial para a modernização e competitividade do nosso tecido empresarial.

Portugal precisa de um PSD capaz de idealizar e definir a maior reforma estratégica, organizacional, processual e tecnológica da administração pública, incluindo uma política clara quanto ao uso da tecnologia de informação e digitalização, para obter os dados adequados, otimizar recursos, gerar e compartilhar conhecimento, colocando Portugal na vanguarda da revolução digital do setor público.

Será vital gerar propostas que contribuam para a atração e retenção de talento na função pública, nomeadamente propondo a introdução de mecanismos de avaliação, reconhecimento, promoção e recompensa do mérito. Muitos serão contra, alguns dirão que os funcionários públicos não querem isso, mas Portugal precisa de um PSD que saiba que as pessoas se sentem mais motivadas quando veem o seu bom trabalho recompensado. Aqui, Portugal precisa de um partido sem demagogias, assumindo que para atrair os melhores tem de se pagar melhor. Para se realizar essa reforma serão fundamentais pessoas com competências de gestão e de reorganização, capazes de criar sistemas que produzam mais com menos recursos.

As pessoas estão cansadas de rodeios, de tacticismos, de populismos, causadores de uma abstenção record. Por exemplo, o PSD deverá assumir sem medo que a redução generalizada do horário da função pública para as 35 horas foi má para o Pais, porque foi má para o sistema nacional de saúde, porque foi decidida sem preparação e planeamento, com total irresponsabilidade. Uma redução progressiva e planeada seria certamente mais prudente.

O País precisa de um PSD capaz de se diferenciar do conluio da esquerda que não promove suficientemente o crescimento e o desenvolvimento da economia. Um PSD com uma opinião diferente sobre o papel do Estado, que demonstre que a extrema esquerda quer um Estado gordo e dominador, dominado por eles, pois acreditam que só eles podem mandar e só eles sabem o que é melhor para o País. Por oposição o PSD deve ser o partido que acredita no cidadão, na iniciativa privada, tanto quanto na pública, na liberdade de escolha e num Estado focado nas suas atribuições fundamentais, em cooperação com a sociedade civil, fazendo-se respeitar pelas suas qualidades e não pela sua força.

Da mesma forma será importante para o País que o PSD se diferencie dos partidos à sua direita, desde logo vincando a sua matriz mais social e redistributiva, mas também a sua maturidade democrática e intelectual relativamente a questões fraturantes como o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adoção e a legalização das drogas leves, bem como uma visão estratégica sobre o controlo de determinadas infraestruturas do País.

Em suma, Portugal precisa de um partido à altura do povo Português, na vanguarda dos nossos tempos, criando esperança para as gerações vindouras, derrubando os muros que nos impedem de termos melhores condições de vida, criando pontes para um futuro mais próspero e menos dependente de terceiros. Um futuro mais livre.