Hoje celebramos um grande mistério que não pode ser dissociado de outros mistérios, tão grandes ou maiores que a Encarnação, todos eles bastante indecifráveis no sentido mais convencional da palavra mistério. Mistério, aliás, significa poço sem fundo, uma realidade tão rica que, quanto mais a aprofundamos, mais nos escapa.

Já é difícil explicar o nascimento de Jesus, filho de uma Virgem chamada Maria a quem apareceu um anjo, mas tudo se torna ainda mais complexo quando usamos a terminologia do verbo que se fez carne.

Para qualquer mortal, mesmo crente, as dúvidas que estes grandes mistérios levantam são torrenciais e legítimas, mas ajuda perceber que a fé coabitará sempre com a dúvida. Se há dúvida, é sinal de que é fé, diz Vasco Pinto de Magalhães, padre jesuíta e um grande sábio, habituado a dar pistas a quem pede ajuda para tentar perceber ou, no mínimo, conseguir acolher realidades mais inacessíveis.

O que é isto do verbo que se faz carne? E de que estamos a falar quando falamos de encarnação? Estranho, tudo muito estranho, à luz dos nossos dias…

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