Perante o agravar da situação económica e o aparente alívio da evolução da pandemia, é chegada a altura de começar a pensar na vida após a crise.

Até aqui temos seguido as instruções das autoridades de saúde, muitas vezes antecipando-nos a elas. Por vezes com indicações contraditórias, como aconteceu no início, em que foi desvalorizada a importância da epidemia e como mais recentemente com o uso generalizado da máscara, apenas para citar alguns exemplos. O que se desculpa pela situação nova e inesperada que enfrentamos. Todos compreendemos e todos estamos unidos no combate a este vírus.

Mas agora há que ter uma visão mais distante e esclarecida e a condução da situação deve pertencer aos governantes, certamente ouvindo as autoridades sanitárias, os matemáticos, os economistas e todos aqueles que possam ajudar a enfrentar a crise económica que certamente muitos de nós estamos já a sentir.

Precisamos todos de mentes esclarecidas e dispostas a combater sem se inibirem de o fazer por terem medo do que aí vem. Vem a propósito o artigo do Alexandre Relvas que nos faz ver um pouco o que se avizinha, mas que em vez de ficar paralisado com medo, aponta alguns possíveis caminhos para sair disto e levantar a cabeça.

Sabemos que mais tarde ou mais cedo vamos ter de voltar às nossas vidas e que esta situação não se pode manter por muito mais tempo, sob pena de criar outra ainda mais grave, com desemprego, fome e inevitável convulsão social.

Foi e provavelmente continua a ser útil esta paragem, o distanciamento social, o confinamento. Foi mesmo a única maneira de evitar o congestionamento dos nossos hospitais e todos reconhecemos que obtivemos com isso bons resultados, mas aproxima-se a altura de se recomeçar a viver uma vida normal. Com os devidos cuidados, com a proteção possível dos mais vulneráveis e seguramente com a inevitabilidade de alguns danos. Por muito que isso nos custe temos de enterrar os nossos mortos e cuidar dos vivos.

Contamos com os nossos dirigentes para nos conduzir e cada um de nós fará a sua parte, como nos convém e como convém a todo o país.