Enfermeiros

“O segredo da felicidade é ter baixas expectativas”

Autor
  • Diogo Prates
125

Lutar por um Serviço Nacional de Saúde de qualidade, que melhor sirva os interesses dos doentes, pode passar por questões salariais mas não pode ficar por aí nem estar refém de uma classe profissional

Durante um congresso em Coimbra, uma das apresentações continha um vídeo do Professor Nadim Habib da Nova SBE onde este procurava explicar o que é a qualidade através de uma simples equação: qualidade=realidade-expectativas. O Professor usa o exemplo da Ryanair e da TAP. A Raynair não cria expectativas, o cliente não espera muito e por isso não se desilude. Já a TAP promete um serviço de qualidade superior pelo que ao mínimo deslize o cliente põe imediatamente em causa a qualidade.

Os leitores fãs da serie Modern Family reconhecerão a citação que dá o titulo a este texto como uma frase da personagem Phil Dunphy, usada por Nadim para ilustrar o seu ponto de vista sobre a importância de não criar falsas expectativas.

Este exemplo pode perfeitamente ser aplicado à política doméstica. Pedro Passos Coelho cedo explicou ao que vinha: “não há dinheiro, não se iludam”. Ninguém o pode acusar de ter criado falsas expectativas. Já este governo fez exactamente o contrário, geriu mal as expectativas, prometeu o que não podia dar e agora colhe o que semeou, tendo que lidar com grupos de pressão cada vez mais reivindicativos, entre os quais os enfermeiros. (Declaração de interesses: licenciei-me em Fisioterapia e Medicina sendo actualmente interno da Especialidade de Medicina Geral e Familiar.)

Não sendo enfermeiro, creio que conheço razoavelmente a realidade, e a realidade é simples: os enfermeiros, como os fisioterapeutas, os cardiopneumologistas, os técnicos de analises clínicas e outros cuja licenciatura tem a duração de 4 anos e trabalham no SNS, são mal remunerados, sobretudo os mais novos. Sobre isto não tenhamos dúvidas, e se a “página da austeridade” estivesse mesmo virada estes profissionais deveriam ser dos primeiros beneficiados.

Outra questão é o discurso demagógico e irrealista da Bastonário dos Enfermeiros quando compara um médico no primeiro ano de internato a um enfermeiro dizendo que o interno por ser tutelado está ao nível de um enfermeiro em estágio. Ora o médico interno, mesmo tutelado, é licenciado tendo estudado 6 anos, enquanto o enfermeiro em estágio é estudante de uma licenciatura de 4 anos. Mais: o médico interno é tutelado pela responsabilidade e complexidade que a profissão médica acarreta, que não se podem comparar às competências de um enfermeiro.

A senhora Bastonária tem todo o direito de reivindicar melhores condições para a classe que representa, essas reivindicações serão justas até certo ponto, mas não tem o direito de questionar a competência e autonomia dos médicos internos nem pode comparar o incomparável.

A luta por um Serviço Nacional de Saúde de qualidade, que melhor sirva os interesses dos doentes, pode passar por questões salariais mas não pode ficar por aí nem estar refém de uma classe profissional. Todos os que trabalham no SNS têm a responsabilidade de melhorar o serviço, esta deve ser uma luta de todos e não só de alguns.

A maioria que governa não se pode queixar: a ilusão que venderam tem um preço, e infelizmente esse preço está a ser pago pelos mais pobres e doentes.

Médico interno

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