O SNS em tempos de pandemia é como uma namorada carente e cheia de ciúmes que faz a vida em função do namorado novo.

Esse “bicho” desgraçado roubou-lhe o coração e agora a sua cabecinha só pensa nele. E pudera! Ele não deixa, sequer, que se aproxime de ninguém a menos de 2 metros de distância.

O Sr. Cóvide (alcunha… nome de família SARS-CoV-2) é um senhor estrangeiro e exótico, que se pavoneia com o cabelinho espetado a toda a roda e a sua disposição contagiosa. A sua fama além-fronteiras faz prostrar qualquer um: o SNS português não foi exceção.

Esta relação doentia, desequilibrada e psicótica começou há vários meses e está cada vez mais perto do limite da saturação.

Aparecem outras pessoas na vida do SNS a precisar de atenção, mas desculpa-se sempre. Ora não tem tempo, ora não tem EPIs de jeito no armário para a ocasião.

Neste momento, os serviços de Medicina Dentária dos centros de saúde, nos quais me insiro, estão proibidos de trabalhar, mesmo que já se conheçam as normas e como aplicá-las, e mesmo estando já o privado em pleno funcionamento. Há tudo: meios humanos, material e necessidade por parte dos utentes. Só não há assinatura – caneta num papel – a autorizar o funcionamento dos serviços. Neste momento, há gente com cancro que não está a ser diagnosticada, gente com doenças crónicas que não está a ser acompanhada, visitas ao domicílio adiadas, serviços de urgência alterados. Tudo porque o SNS só tem cabeça para o namorado novo.

Acontece que quem te avisa teu amigo é: meu querido SNS, quando o Sr. Cóvide acabar contigo não vai haver ninguém para te dar a mão. Esqueceste os teus amigos: os profissionais de saúde que estiveram sempre ao teu lado; ignoraste os teus doentes: os contribuintes que te enviam presentes todos os meses e que precisam de ver retribuído o seu carinho.

Sabes que mais? Em breve serás só mais uma gaja triste a comer compulsivamente as sobremesas de morango do recobro. Uma gaja gorda, feia e chata.

Abre os olhos SNS, abre os olhos enquanto podes! Porque ninguém gosta dessas!