Durante milhares de anos a história da Humanidade assentou na luta pela liberdade. Lutamos pela libertação das classes; pela libertação do conhecimento; pela libertação do poder divino; pela libertação de déspotas; pela libertação das nações e pela libertação do individuo.

Quisemos ser livres, seguir o nosso caminho, tomar as nossas decisões.

Agora, como estará esse processo em pleno século XXI?

Neste novo século, voltamos a ter de lutar pela nossa liberdade e em várias vertentes. Umas das vertentes assenta na liberdade de nos conhecermos. Está bem na ordem do dia. Nunca se falou tanto em retiros, em meditação, em conexão com a essência do eu.

Não deveríamos primeiro ser livres e depois pedir a liberdade?

Numa segunda vertente, hoje, sabemos que estamos a vender dar muito de nós. Vendemo-nos damo-nos ao nosso emprego, vendemo-nos damo-nos os nossos dados. Vamos por aqui. A questão dos dados, não se prende apenas com a privacidade. Muito se fala na necessidade de legislar este novo campo da sociedade. No entanto, alegando a complexidade do tema, tem-se colocado tal em segundo plano. Esta é uma nuvem bem cinzenta que paira sobre nós. Durante décadas de exploração sempre foi a ignorância que alimentou as relações opressivas.

No digital somos explorados, disso já não duvidamos. A grande questão é que o digital já se tornou uma cultura, já tem força de estado. O ónus é a forma como esta cultura nos tem coagido de forma invisível. Já não falamos apenas de privacidade, falamos no livre arbítrio! Eles conhecem-nos, sabem o que queremos comprar, onde queremos fazer férias, onde queremos comer, se somos veganos, se usamos nike ou adidas…. Esse conhecimento, é usado para nos direcionar.

Com todo este sistema implementado tem-se criado um clima de desconfiança geral. Não nos opomos, apenas deixamos de ser crentes e sucumbimos face ao capitalismo de vigilância que se está a instalar. Nunca sabemos quem está do outro de lado, nunca somos chamados a dar opinião. Estamos numa nuvem que continua bem cinzenta.

Conhecemos o paradigma inicial: se não pagamos pelo produto, nós somos o produto. Porém, já nem sequer somos um produto. Somos apenas carne para canhão! Somos um pedaço do produto, somos um número, um meio para alcançar um determinado objetivo.

Sim, alguém anda a tentar conduzir as nossas ações, seja decisões triviais, como que ténis compro, ou em decisões fundamentais como em que partido voto.

E voltamos ao ciclo. Mais uma luta pela liberdade, ou melhor pelo nosso livre arbítrio!