Crónica

PCP, BE e Trump: separados à nascença /premium

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Vai ser engraçado ver PCP e BE passarem o ano a fazerem o número do partido que quer voltar a conquistar o seu eleitorado depois de se ter enrolado com outros partidos que os seus eleitores odeiam.

Antes de mais, é importante denunciar que neste réveillon o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda subverteram a tradição de, na passagem de ano, utilizar uma peça de roupa nova. Optaram em alternativa por virar a casaca: de repente a geringonça já não presta. Vai ser engraçado vê-los passar o ano a fazerem o número do partido que quer voltar a conquistar o seu eleitorado depois de se ter enrolado com outros partidos que os seus eleitores odeiam: “Aquilo com a geringonça não significou nada para mim. Juro. Que nojo, aquela geringonça!”

Agora, a estratégia do PCP e do Bloco de se distanciarem do PS pode ser contraproducente. É que depois de António Costa ter derrubado o muro em 2015, esta sofreguidão em reconstruir o muro vai impulsionar o sector da construção civil. E daí poderá resultar crescimento económico acima das previsões mais optimistas. Vão acabar por entregar a maioria absoluta ao PS.

Como se isto não bastasse, PCP e Bloco estão a pôr em causa a sua base ideológica. Ninguém antecipava que parte fundamental da estratégia dos dois partidos fosse igualzinha à de Donald Trump: edificar um muro. E não ficam por aqui as semelhanças entre PCP, Bloco e Trump. Ora vejamos: todos apreciam imenso a Rússia; todos condescendem com o Facínora III da Coreia do Norte; e se o presidente americano jurou fidelidade a uma cidadã de um país comunista borrifando-se posteriormente para isso, PCP e Bloco juraram fidelidade aos países comunistas borrifando-se de imediato para os seus cidadãos. Descubra as diferenças.

Bem, início do ano, altura de formular desejos. Para 2019 um dos meus desejos é que António Costa melhore do transtorno de dupla personalidade que o aflige. Ainda há dias, no fecho do ano parlamentar, António Costa — o primeiro-ministro — afirmou que “A forma como foi liberalizado o mercado [de habitação] demonstra como o PSD e o CDS são partidos que não olham às pessoas, são partidos que olham ao mercado, aos seus interesses, àqueles que querem ganhar dinheiro”. Ui. Nada meigo para com António Costa – o especulador imobiliário – que olhando ao mercado, aos seus interesses, e a querer ganhar dinheiro, comprou aquele andar no Rato a um casal de velhinhos para dez meses depois vendê-lo pelo dobro.

Mas enfim, ano novo, vida nova. Quer dizer, em Portugal fará mais sentido “Ano novo, vida em segunda mão”. É que por cá não temos propriamente uma vida nova no início de cada ano. A nossa vida é propriedade das Finanças até lá para Junho. Depois chega o dia da Libertação de Impostos e, então sim, a Autoridade Tributária permite-nos desfrutar um pouco da nossa vida. Mas é uma vida que já não vem com aquele cheirinho a novo. Embora também não tenha aquele mau cheiro a extrema-direita que Ferro Rodrigues detectou. É antes um “Cheira-me que se a extrema-esquerda viabiliza também o próximo governo, para o ano estamos a pagar impostos até ao Dia de São Martinho”.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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