Era inevitável. Com a ascensão do chamado pedronunismo, resultante do crescente protagonismo do Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, tinha de começar a haver algumas pedronuníces e pedronunadas. Por exemplo, demitir o CEO da TAP, em directo, numa conferência de imprensa, creio tratar-se de uma inquestionável parvoíce, ou melhor, de uma pedronuníce. Já comprar sucata ferroviária a Espanha para renovar os comboios da CP julgo ser uma clara calinada, aliás, uma pedronunada.

Quem está bem atento à ambição que Pedro Nuno Santos alimenta de ser o futuro líder do PS e Primeiro-Ministro é António Costa. E eu, se fosse a Pedro Nuno Santos, tinha as perninhas a tremer ainda mais que os banqueiros alemães quando o ouviram dizer que Portugal não devia pagar a dívida. É que António Costa é um autêntico Exterminador Implacável de Primeiros-Ministros. Em 2014, com aquelas declarações assassinas à saída da prisão de Évora, exterminou um ex-Primeiro-Ministro, José Sócrates. Em 2015, ao dar o golpe parlamentar que originou a geringonça, exterminou um actual Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho. E agora, ao colocá-lo no Ministério com a tutela da TAP, ou muito me engano, ou exterminará logo à nascença um eventual futuro Primeiro-Ministro, Pedro Nuno Santos.

E, para tudo o que precisar, António Costa conta com o prestimoso Rui Rio. Desta feita, o líder do PSD quer poupar o Primeiro-Ministro à maçada dos debates quinzenais, com os chatos dos deputados, no secante Parlamento. Desconheço o modelo preconizado por Rui Rio para o Primeiro-Ministro prestar contas na Assembleia da República. Mas não me espantaria que fosse algo nesta linha. Depois de cerca de 50 anos em que os chefes de governo não prestavam contas a rigorosamente ninguém, a que se seguiram os últimos quase 50 anos em que se fartaram de falar e o país não saiu da cepa torta, se calhar agora voltávamos a experimentar 50 aninhos sem maçar os senhores Primeiros-Ministros. Só por uma questão de alternância democrática: uma vez sem democracia, uma vez com democracia, outra vez sem democracia e assim sucessivamente.

Enfim, enquanto por cá se fala de pedronunismo, nos Estados Unidos da América é o nazismo que está na berlinda. O que nos leva à rubrica “Estupidezes Grotescas da Comunicação Social sobre Donald Trump”. Esta semana escolhi uma notícia da Visão com o título: “Trump tem um novo logótipo para a sua campanha e é tal e qual um emblema nazi”. Ao ler isto imaginei que, no mínimo, Trump teria arriscado uma nova versão da milenar cruz suástica. Ingenuidade minha, reflexo ainda do instinto arcaico de esperar uma réstia de seriedade por parte da comunicação social. Não, Trump não fez um restyling à suástica. Afinal, a “notícia” – toda ela construída em torno de um tweet de um indivíduo que é aquilo a que convencionou chamar-se um tweet twit – assinalava o nazismo de Trump em virtude do tal logótipo de campanha ser constituído por, e agora prestem atenção: uma águia; de asas abertas; pousada em cima de um elemento circular, que é uma bandeira dos EUA. É que é só trocar a bandeira circular dos EUA por uma roda de bicicleta e aquilo é o emblema do Benfica!

E assim se confirma o nazismo do Presidente norte-americano. Ademais, logo na Roma Antiga, Trump introduziu a águia, de asas abertas, no topo dos estandartes das legiões. Depois, em 1782, gizou o plano que fez da águia um símbolo nacional dos EUA. E, em 1908, desenhou, ele próprio, o novo emblema do Sport Lisboa e Benfica, com a águia no topo da roda da bicicleta. Terá então vaticinado: “Quando daqui a uns anos existirem, os nazis vão pegar nisto da águia, de certezinha, e eu depois já tenho onde ir copiar o símbolo para a minha campanha de recandidatura de 2020. Heil, Hitler! Ah, não, espera. Esta saudação ainda não existe. Heil!, então, só”.

Conclui a Visão: “A comparação entre as imagens, que está um pouco por todo o Twitter, não deixa margem para muitas dúvidas. Mas à Newsweek, a campanha de Trump disse apenas que a alegação é «completamente idiota»”. Não é. É profundissimamente imbecil. Mas nada comparado com a Visão fazer disto notícia.