Foi chamado de quarentena, mas na realidade eram 15 dias de apelo ao recato do lar e, em saindo, manter uma distância social de dois metros. E depois avançou para mais 15 dias com restrições ainda maiores, e agora sim podemos começar a falar de quarentena.

Se já vivíamos um tempo egoísta, este lockdown, veio piorar tudo.

O povo está fechado, a olhar para si, e só para si, radiantes com todas as possibilidades que as redes lhes oferecem. Em modo concurso… Quem tem a quarenta de sonho.

Tontos…

Temo que a humanidade está a perder uma janela de oportunidade para se tornar melhor.

Vamos deixar velhinhos morrer, não de Covid-19 mas de solidão. Vamos matar muita gente por ausência de cuidados primários.

A morte de uma pessoa é sempre uma má notícia, e é irremediável para os seus familiares.

Respeitando a vida humana, o que devíamos fazer era estar no terreno, sem medo do “bicho” a acompanhar todos os que precisam, e seguir com a vida para a frente. Com consequências, sim, muitas mortes, pois não é boa notícia, nem coisa que se deseje. Ainda assim, se tivesse Pai e Mãe, estava com eles, e jamais os mandava para um hospital para morrerem sozinhos

Mas o que nos é proposto agora é um afastamento, a ver se os números não estragam as médias previstas, e cantar de galo, ao olhar os gráficos.

E depois… como é que o mundo se levanta deste lockdown, será que bons gráficos vão trazer benesses? Não, de todo, é ranking que vai esquecido.

Tudo do avesso!

A natureza é sábia, é dura, e nem sempre é justa. Mas aqui estamos, todos cheios de juízo e a acreditar no que nos dizem, obedientes. Mas vai morrer muita gente, vai, e há pouco a fazer.

Por vezes temos que nos resignar com a dureza da vida

É impressionante como esta praga nos desafia para a proximidade a quem precisa e a quem se ama, e a opção deste mundo higiénico e virtual é lockdown.

Morremos como nascemos, sozinhos, mas acompanhados. Anda tudo enganado…

Preocupa-me seriamente, a contabilidade de de mortes por outras causas… e evitáveis. Preocupa-me seriamente a fome, o desemprego, as falências, e tudo o que por aí vem.

Pode ser horrível e pouco politicamente correcto, mas a realidade é que para a protecção de pessoas acima dos 70 anos estamos a hipotecar o futuro dos seus netos, a pôr em risco as vidas dos seus filhos, quando não têm assistência para as suas doenças, súbitas ou outras.

Não temos que, nem vamos todos viver até aos 100 anos!

Pergunte-se à população de risco o que sente, como vê isto tudo. Estão-se nas tintas! Querem ir ao jardim jogar cartas, querem dar a volta no bairro e conversar com a companhia que lhes resta.

Vão todos morrer de tristeza.

Tenho pena da classe política, todos em bicos dos pés com os números… E os outros números… os outros mortos, não contam?

A política está na ruas da amargura, ninguém se chega á frente. As boas almas deste país fogem como o “diabo da cruz”. Lamentável, mas é o que temos e espelha o que somos.

Pequeninos, mas não corajosos, como canta Camões, somos cobardolas.