As sondagens, que valem o que valem, não deixam dúvidas sobre o falhanço da oposição em Portugal.

Se olharmos para estes estudos periódicos como uma espécie de avaliação contínua e daí quisermos tirar conclusões, a consequência só pode ser uma: é preciso tomar medidas urgentes. Fazer como o cábula tradicional, assobiar para o lado, tentar dar a volta ao professor ou esperar que um estudo rápido no fim do ano seja suficiente para melhorar a nota, são tudo soluções que só podem conduzir a um desfecho. Chumbo pela certa. É preciso, portanto, um plano intensivo de recuperação de aprendizagens.

Tomem estas regras como recomendações para a necessária melhoria de notas.

  1. Convém ter alguma ideia clara sobre o que fariam diferente se estivessem no poder. Mostrá-lo aos eleitores. Apresentar novas soluções para os problemas reais das pessoas;
  2. Fazer uma avaliação contínua ao Governo e não ficar à espera dos escândalos na imprensa para cavalgar os temas. Iniciativa e imaginação costumam ser qualidades apreciadas pelos eleitores;
  3. Quando um ministro do Governo faz asneira e o Primeiro-ministro faz de conta que não se passa nada, essa é talvez a oportunidade de ouro para desgastar o Governo. Regra: não deixar cair o tema e acrescentar novos dados; (Lembram-se de Correia de Campos e dos nascimentos diários em ambulâncias? No dia seguinte à demissão pretendida, nunca mais ninguém nasceu na ambulância.)
  4. Ser claro na comunicação com o exterior e ter alguma coisa relevante para dizer sempre que se fala aos eleitores;
  5. Não ficar à espera de que o Presidente da República seja o líder da oposição. Dar-lhe antes bons argumentos para exercer o seu poder de influência;
  6. Não mudar de estratégia todas as semanas para tentar conquistar eleitorados imaginários;
  7. Procurar coerência nas políticas e estudar o histórico do partido antes de fazer propostas.

É fácil, simples, mas dá algum trabalho. Sobretudo exige método, persistência e mesmo convicção.

Em política tudo pode mudar de um dia para o outro. A história não se repete. Ficar à espera da repetição de ciclos indiferentes à mudança dos tempos e das circunstâncias só pode dar mau resultado.

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Último alerta. Esperar que António Costa facilite o trabalho à oposição e deixe o poder cair-lhe no colo, é cair num engano fatal. O Primeiro-Ministro já deixou bem claro que aprendeu com os erros dos seus antecessores e que vai preparar muito bem a sua sucessão de forma a tentar perpetuar os socialistas no poder, como de resto fez na Câmara Municipal de Lisboa.

Acordem e mudem de vida. O país precisa.