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Aprendi, numa classificação rudimentar, a distinguir os animais selvagens dos amimais domésticos. E a eleger; para além deles, os animais racionais. Os animais selvagens teriam o seu habitat. Fariam parte dum ecossistema tendencialmente equilibrado. E seriam agressivos quando se tratava de se defenderem, sempre que se sentiam ameaçados. Os animais domésticos seriam animais de companhia. Dóceis, regra geral. Capazes de se adequar às regras dos seus donos. Com a sua personalidade, claro. E tão intimamente sintonizados com eles, que comunicariam através de formas tão subtis de linguagem que “falar” se poderia fazer à margem da necessidade das palavras. E, finalmente, os animais racionais. Muito, ainda, numa lógica judaico-cristã. Que faria da razão, e da forma como discorremos e a usamos, o elemento-chave que nos distinguiria de todos os outros animais.

É verdade que, entre inúmeros outros atributos, os animais racionais são capazes de amar. E convencionou-se (mal!) atribuir ao amor “razões que a razão não admite”. O que, por outras palavras, foi fazendo com que se fosse supondo que, quando se fala de relações amorosas, nem sempre seremos tão esclarecidos e racionais como seria suposto. É claro que somos inteligentes em demasia para nos resignarmos a ser, numa relação, “animais de companhia”. E, pelos mesmos motivos, a agressividade humana não é um lado de “animais selvagens” que existirá em nós mas, mais do que parece, um exercício que conjuga a ira com a inteligência. Mas, depois, sucedem-se os relatos de violência doméstica. Com a particularidade de sermos animais racionais, não é? O que nos ajuda a perceber que, ao contrário dos outros animais, só as pessoas são violentas. Mas, porquê?

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