A minha escolha na eleição do próximo líder do CDS assenta num critério: atitude. Vou procurar explicar porquê.

A ideia muito difundida de que o CDS está dividido entre moderados de um lado e radicais do outro é, convêm dizê-lo, uma farsa. Apelativa para discussões “nas redes” ou crónicas apressadas, mas completamente desligada da realidade.

Não vejo nas candidaturas com hipóteses de sucesso nesta eleição (e são três) divergências substanciais de valores ou mundividência. Basta olhar para as moções que cada uma apresenta. Há diferenças nalgumas políticas propostas, é certo. Só que, numa altura em que está fora de alcance do CDS executar quaisquer políticas, não são essas variações que mais contam. A diferença que releva está na atitude. Pode parecer menor, mas não é de todo – na política, os valores e as convicções de pouco servem sem atitude.

Primeira atitude: acabar com esta bipolarização em torno da ideia conveniente mas fantasiosa (para dizer o menos) de que há um grupo de moderados, os pragmáticos e os virtuosos, e outro de radicais, os viciosos e os “ideológicos”, ou, como se insinua  vezes demais, os menos decentes. É verdade que há setores mais radicais no CDS (e até há pecadores, imagine-se), como há, de resto, em todos os partidos. Mas o CDS é sobretudo formado por pessoas que querem o bem do seu País, rejeitam extremismos e valorizam a responsabilidade e decência na vida política.

Nisso, o CDS é de facto um partido moderado e para moderados, no melhor sentido em que a moderação pode ser compreendida. Moderação, no sentido da capacidade de convivência com ideias que não coincidem exatamente com as nossas. Moderação, no sentido da recusa de sectarismos cegos. Moderação, no sentido em que lutamos por preservar o adquirido, ao invés de experimentalismos perigosos.

Moderação também, e eis aqui outra atitude: porque valorizamos o combate político. Não é um contrassenso. Somos  um partido político e combatemos tudo o que pode destruir as nossas ideias. Não achamos que todos os opostos podem coexistir. Não subestimamos as ameaças à vitalidade das nossas sociedades. E num mundo onde triunfa o efémero e, por vezes, o desumano, devemos ser tudo menos frouxos na defesa daquilo que valorizamos. Moderados, mas combatentes. Não há contradição – a moderação politica não significa frouxidão na luta.

É uma questão de atitude. Moderados somos todos nós, o Francisco, o João, o Filipe, a Assunção, o Abel, o Adolfo, o Telmo, a Cecilia, a nossa excelente líder parlamentar, eles e outros tantos. Todos com provas dadas de serviço ao partido. Mas, de entre os que se apresentam nesta eleição, parece-me que o mais importante é saber reconhecer quem tem atitude e a energia para liderar o CDS neste momento difícil. E, quanto a mim, o Francisco Rodrigues dos Santos é quem tem hoje mais e melhores condições para trazer a atitude e renovação de que precisa o partido.

Aquilo que falhou nos últimos quatro anos não foram as propostas e o trabalho. Acontece que o partido teve falta de atitude  (e a que teve, quando teve, muito se deve a Assunção Cristas, como na sua última e solitária campanha das legislativas). Quatro anos depois, e o fraco resultado que conhecemos, tornam indispensável escolher quem tem atitude, quem está livre, quem representa um novo começo. Mais uma vez: o Francisco Rodrigo dos Santos é a melhor opção.

O momento impõe que a atitude seja de combate político: para nos mobilizarmos contra os nossos adversários de sempre, e não contra o companheiro de partido que não é tão puro ou alinhado como gostaríamos que fosse. Contra os nossos adversários de sempre, hoje mais radicalizados, mais imprudentes, mais experimentalistas, mais destrutivos.

As pessoas que já votam e poderão votar CDS no futuro  (acredito que muitas) querem que o nosso partido lute com clareza e determinação contra o radicalismo que campeia nos nossos adversários, influenciando decisões políticas e chantageando o País, que lute contra a imoderação das esquerdas, essa, sim, real, presente e numerosa. A alternativa é acabarmos encerrados num gueto, entre  discussões internas acessórias, reféns de uma farsa inútil que andámos a alimentar.

Finalmente, tem de existir atitude no esforço de contribuir efetivamente para uma solução alternativa à que está no poder. Isso implica estar disponível para entendimentos no nosso espaço politico. Sem abdicar de nada daquilo que nos é essencial, sem receio de incomodar os falsos pudicos que gostam de ditar o que devemos ser (mas que nunca votam, nem votarão em nós), fazendo o melhor que soubermos na representação de quem confiou em nós e na conquista da confiança dos que partilham os nossos valores.

Atitude mais uma vez na sólida defesa da liberdade e das liberdades, públicas e privadas, políticas e não políticas, e da igualdade perante a lei; no respeito pelas diferenças e na proteção dos mais frágeis; na defesa de uma sociedade com laços sociais, que não esteja entregue aos muitos individualismos; no combate cerrado contra qualquer forma ou tentativa de tutela moral na política, na cultura, na História, na ciência, no meio natural; na preservação de um património e de um denominador comuns às pessoas; na luta por uma sociedade de oportunidades,  onde todos, com esforço, talento ou sorte, podem alcançar uma vida decente – esta é a atitude que nos deve mobilizar e estar sempre presente nas nossas decisões como partido.

As ideias, incluindo as melhores ideias, não são um exclusivo de ninguém no CDS, nem são um exclusivo do CDS. E as ideias na política só prosperam se alguém lutar por elas. Nesta fase da vida do CDS, a resposta só pode estar na atitude. É isto que espero do Francisco Rodrigues dos Santos, que apoio nesta eleição; e é o que pedirei ao próximo líder do CDS, qualquer que ele seja.