Nos diversos atos espalhados pelo Brasil e pelo mundo no último sábado, dia 29, contra o candidato à Presidência do Brasil Jair Bolsonaro, vi os rostos de dezenas de amigos e familiares. Alguns conservadores, alguns liberais, alguns de esquerda, alguns de direita, alguns favoráveis à descriminalização do aborto, outros contrários, alguns favoráveis à legalização da maconha, outros contrários. Não importa a posição política, todas as pessoas boas e lúcidas que conheço, hoje dizem com convicção: ele não.

O Brasil atravessa um momento dificílimo, em todos os aspectos. Todos estão traumatizados com a vulnerabilidade da nossa democracia, bem como com a inconsistência do nosso sistema. Num cenário desses, é fácil que “novos” candidatos se aproveitem do cansaço generalizado para tentar chegar com um discurso que supostamente rompa com o status quo.

Todavia, Bolsonaro não é novo em nenhum aspecto, nem na política, nem no discurso. Há quase 30 anos na política, Jair Bolsonaro repete discursos que são velhos conhecidos de quem vive num país que já enfrentou uma ditadura.

Numa entrevista à Rádio Jovem Pan em 2016, Bolsonaro afirmou que “O erro da ditadura foi torturar, e não matar”, assim como numa entrevista a uma revista brasileira afirmou acerca da ditadura chilena que “Pinochet devia ter matado mais gente”. Acerca do massacre do Carandiru, no qual presidiários foram mortos pela Polícia Militar, disse que a Polícia deveria ter matado 1.000 e não 111 homens.

Ao debater com a deputada federal Maria do Rosário, disse “não te estupro porque você não merece”, assim como afirmou em entrevista ao Jornal Zero Hora, em 2014, que as mulheres devem ganhar salários menores porque engravidam. Na sessão de 2016, na qual votou a favor do impeachment da presidente Dilma Roussef- que foi torturada durante a ditadura de 64-, dedicou seu voto ao coronel Ustra, que chefiou o DOI-Codi, departamento da polícia responsável por centenas de atos de tortura e mortes ao longo a ditadura no Brasil.

Disse também, à cantora Preta Gil, filha de Gilberto Gil, que seus filhos foram bem educados, e por isso não correm o risco de namorar uma mulher negra. Afirmou, ao ver o ex presidente Fernando Henrique Cardoso segurando uma bandeira do orgulho LGBT, que “não vou combater, nem descriminar, mas se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”. Assim como disse à revista Playboy que “seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí.”.

Acerca dos privilégios dos políticos, falou ao jornal O Dia, em 2013, que “parlamentar não deve andar de ônibus”. E, num evento na Paraíba em 2017, disse que “Deus está acima de tudo, não tem essa de Estado laico não”. Esse mês, em comício no estado do Acre, afirmou que, se eleito, iria fuzilar a “petralhada” (eleitores do PT).

Não importa. Não importa ser de direita, de centro ou de esquerda. Importa ter alguma lucidez e alguma dose de humanidade. Não é preciso ser negro, homossexual ou mulher para dizer #elenão a Jair Bolsonaro. É preciso ser minimante humano e consciente de que, dentre todos os caminhos difíceis que temos para reerguer o Brasil, esse, certamente é o pior. Ele não.