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Quem se atreveria a imaginar que, volvidos quase 500 anos sobre os “mares nunca dantes navegados” de Camões, a epopeia na ordem do dia, em Portugal, envolvesse o governo a ponderar exigir que Zmares nunca dantes requisitados acolham trabalhadores agrícolas com COVID? É que nem o Velho do Restelo. Estou convicto que o célebre idoso rezingão confessaria: “Eh pá, eu realmente tinha um mau pressentimento em relação a esta coisa dos Descobrimentos. Mas daí à epopeia marítima redundar num Costa a pensar requisitar casas particulares para acolher doentes com coronavírus, para mais quando o número de internados nos hospitais é já tão baixo, vai uma distância maior que o próprio caminho marítimo para a Índia. E não me façam falar do meu Belenenses, que está muito fraquinho.”

Pois é, longe vão os tempos da obra maior da literatura lusitana. Por estes dias, o mais próximo que temos de uma ode épica é Odemira epidémica. Epidemia que acaba por não surpreender, quando constatamos as condições em que vivem grande parte dos trabalhadores das explorações agrícolas da região. Enquanto os mirtilos que os imigrantes catam têm estupendas condições para medrar, para os trabalhadores há condições de medra inadmissíveis. Vai-se a ver e os mirtilos têm um sindicato superior ao dos agricultores.

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