Portugal tem estado ultimamente na capa dos jornais em todo o mundo, por ser o país com mais casos e mortes por milhão de habitantes.

Desde há alguns dias, que o número de mortes tem sido superior a 200 pessoas, tendo chegado aos 275 óbitos no domingo.

Mas porque é que nós, Portugueses, temos este recorde mundial tão vergonhoso? Aquando da primeira fase, ninguém sonharia que iríamos atingir estes números tão dramáticos no nosso país.

Todos nós temos noção que a variante britânica, para além de ser potencialmente mais contagiosa, é responsável, neste momento, por quase metade dos novos casos em Portugal.

Segundo a Dra. Mirella Salvatore, uma especialista de Nova Iorque em doenças infecciosas, o SARS-CoV-2 deve ser capaz de produzir uma ou duas mutações por mês. No entanto, a variante B.1.1.7 surpreendeu os investigadores no Reino Unido quando descobriram que a estirpe tinha 17 mutações, um número bem acima do habitual. Ainda não se sabe porque é que esta variante é mais transmissível, mas Salvatore referiu que as mutações dão ao vírus uma maior potência, permitindo mais facilmente a sua entrada e ligação às células. Ela acrescentou que esta variante pode ter nascido de doentes imunocomprometidos infectados com SARS-CoV-2.

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E quem são os doentes imunocomprometidos entre nós? Na sua grande maioria, fazem parte deste grupo: idosos, doentes oncológicos em ou sem tratamento, doentes crónicos e com défice imunológico.

As crianças e os adolescentes são o grupo mais vulnerável e passível de infecção pela variante britânica. Contudo, na maior partes dos casos, as crianças e os adolescentes são portadores assintomáticos e o seu sistema imunológico está mais bem preparado para enfrentar o vírus.

Se os hospitais possuem agora equipamento adequado e moderno, mais profissionais de saúde preparados e também, indubitavelmente, um maior número de camas nos cuidados intensivos e nas enfermarias, porque estamos a viver nos últimos dias este cenário dantesco no que se refere ao número de mortes?

Ninguém irá culpabilizar os heróis da primeira vaga por falta de qualidade técnica no exercício da sua atividade profissional. Pelo contrário. Toda a população tem agradecido e reconhecido quão importante têm sido estes profissionais no combate à pandemia , muitos deles também já afectados, alguns em “burnout” face ao crescente número de casos. Os Portugueses não estão a morrer de Covid-19 por qualquer negligência médica nem tão pouco por falta de medicamentos ou meios técnicos adequados.

As características da nossa população não têm ajudado muito nesta pandemia. É uma população envelhecida, com várias doenças crónicas como, por exemplo, diabetes, asma, doença pulmonar obstrutiva e hipertensão. Todos estes factores de risco são importantes e acabam, muitas vezes, por decidir o prognóstico de cada doente. Basta olharmos para a faixa etária mais afectada pela Covid-19, para concluirmos, que as doenças crónicas, a falta de capacidade de resposta do sistema imunológico à infecção e o próprio sedentarismo (por exemplo,dos idosos que vivem nos lares), são as principais razões que nos levam com para o primeiro lugar do ranking mundial de casos e mortes por Covid-19.

Para evitar que esta tragédia se agrave, nunca é de mais relembrar  importância de cumprir as medidas sanitárias e acelerar o processo de vacinação em Portugal, dando prioridade ao grupo mais vulnerável da população. Se a faixa etária mais afectada pelo vírus é a da terceira idade, são estas pessoas que devem ser prioritárias na vacinação, independentemente de estarem a viver ou não em lares.

Só iremos corrigir este aumento exponencial de casos se pararmos de brincar com medidas pouco eficazes e controversas e seguirmos um rumo virado para a audácia e rapidez na execução de um plano sério e organizado.