A inspiradora do modelo económico do Syriza: María Ángeles Durán. Se houvesse justiça neste mundo esta cidadã espanhola seria neste momento reconhecida como a sucessora de Marx e a verdadeira inspiradora de Tsipras e sus muchachos por essa Europa fora.

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María Ángeles Durán não escreveu um livro, não teorizou sobre a conquista do poder através das técnicas leninistas usadas pelo Podemos em Espanha. Não, María Ángeles Durán registou o Sol em seu nome (tentou registar também o grito do Tarzan mas a coisa não correu tão bem!) No que ao Sol respeita registou-o num notário em 2010. Alegou a seu favor que o Sol é um bem tangível de que não se conhece dono nos últimos cinco milhões de anos. Depois começou a vender parcelas do Sol. Ao que parece pedia um euro por cada metro quadrado. O negócio corria de feição pois os proprietários, longe de caírem no logro de quererem viver no Sol, dizem-se sim donos na Terra dos direitos de apreensão dos raios solares, direito esse que, segundo eles, lhe permite cobrar rendas às empresas de energia, que usam os raios de Sol para alimentar os painéis solares.

Mas eis que o ebay, onde a sagaz empreendedora procedia ao negócio das parcelas de Sol, bloqueou as vendas. Naturalmente María Ángeles Durán quer ser indemnizada. Alega que foi prejudicada e que o site não pode bloquear a venda do Sol pois este está registado em seu nome. O tribunal de Alcobendas declarou-se competente para julgar o caso que entretanto promete ganhar outros litigantes pois alguns afectados com melanoma propõem-se processar María Ángeles Durán por causa dos danos causado aos seus corpos pelos raios solares. Ao que, contra-argumentam causídicos solícitos, María Ángeles Durán não pode ser responsabilizada por tais problemas, pois como só registou o Sol em seu nome há cinco anos e os raios solares demoram mil a chegar à Terra só daqui a 995 anos ela poderá ser responsabilizada por tais danos. Por explicar fica a diferença entre a data de pagar e a de receber: se os compradores dos direitos sobre os raios solares só têm de pagar os danos do Sol daqui a 995 anos como podem querer começar já a receber direitos sobre os raios solares que também só chegam daqui a 995 anos?

(Na realidade os números não são estes mas o mundo do Direito não atende a esses detalhes!)

Qualquer semelhança entre isto e o socialismo não é coincidência: os socialistas candidatam-se a contar com o dinheiro do mundo; depois acusam este e aquele de não os deixarem governar simplesmente porque não os financiam imediatamente e sem reservas. Quanto ao assumir das suas responsabilidades e pagamentos essa é uma matéria que fica para daqui a muitos, muitos anos, quando e se… Moral da História e da história: o socialismo pode ter acabado nos livros mas pelos vistos está inscrito nas estrelas.

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José Sócrates sempre! Parece um slogan da coligação governamental mas não é. Bem que podia ser, não pelas razões que agora se apontam – Sócrates estar a prejudicar o PS –  mas sim porque Sócrates impede que Portugal seja neste momento assolado por uma vaga de populismo como acontece em Espanha. Entendamo-nos: se Sócrates fosse do PSD ou do CDS estes partidos já teriam provavelmente mudado de nome, ninguém queria aparecer ao lado de tal gente e o anátema da corrupção pairaria sobre todos os seus eleitores, militantes  e dirigentes.

Como Sócrates é socialista, não só somos poupados a esse folclore funesto das Mãos Limpas e do Podemos como temos até o folclore inverso que aliás subjaz a este cartaz: dê o processo as voltas que der haverá sempre quem declare não ver problema algum no facto de um político viver dos generosíssimos empréstimos de um amigo que era tão amigo que o sustentava a ele e a alguns dos seus próximos numa lista de sucessivamentes que não deixa de surpreender.

Logo o mínimo que se espera é que nas banda da coligação governamental todos os dias alguém termine as suas orações com um graças a Deus por Sócrates ser do PS. Quanto ao PS bem pode amaldiçoar este cartaz. Mas não para justificar o desastre das últimas sondagens. Recordo aliás que os mesmos comentadores que agora dizem que Sócrates é um pedregulho nesta campanha do PS diziam até à passada sexta-feira que Costa estava a gerir muitíssimo bem o caso Sócrates.

Sócrates é um peso nas sondagens para o PS não porque esteja preso mas sim porque o PS continua preso a Sócrates. Todos os dias Costa e a sua equipa se propõem repetir as políticas, as opções e as estratégias do anterior primeiro-ministro. E é isso que pesa nas sondagens e pouco mais. Se os dirigentes socialistas saíssem mais do círculo do Largo Rato perceberiam que estão a deixar-se enganar pelo seu próprio argumentário (coisa fatal em política): ao fim de viverem anos sob resgate, os portugueses não estão menos socialistas do que em 2005 mas em termos de imaginário político trocaram as contas de multiplicar e dividir pelas de somar e subtrair. E de cada vez que Costa promete repor tudo como em 2011 (excepção feita aos detalhes delirantes da vida pessoal de José Sócrates) longe de seduzir o eleitorado deixa-o cheio de dúvidas e de medo da dívida. Sócrates terá culpa de muita coisa mas nos resultados eleitorais do PS só interfere se o PS deixar.

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Em casa, senhores em casa. Foi o drama da semana: milhares e milhares de portugueses estão acamados em casa. Em casa! – repetia-se com indignação nos foruns das rádios e televisões. À excepção dos casos clinicamente graves e de quem não tem quem lhe preste cuidados, onde estariam essas pessoas melhor do que em casa? Não sei. Mas nas ânsias suspirantes dos indignados mediáticos com as quase 50 mil pessoas acamadas em casa desenhava-se um país perfeito com um Serviço Nacional de Acamados, com um Provedor Nacional dos Acamados, mais os animadores dos acamados, os activistas dos direitos sexuais e espirituais dos acamados… Como por causa da austeridade tal entidade não existe, os acamados estão entregues a si e às suas famílias! Uma catástrofe!

Cada família como se sabe é um caso. As famílias não estão enquadradas por políticas, desconhecem as dinâmicas, interpretam de forma anárquica as tendências… Quando virarmos a página desta austeridade e tivermos entrado na idade solar da outra austeridade (a boa), cada acamado passará a ter atrás de si, andando de serviço para serviço, uma plêiade de sociólogos, assistentes, técnicos, antropólogos, activistas, secretárias e monitores. Naturalmente cada acamado continuará acamado. O onde depois se verá.

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A tragédia humanitária é quando a esquerda quiser. A fotografia é má mas não foi certamente pela sua falta de qualidade que a vimos tão pouco. Ela retrata o momento em que uma delegação de oito senadores brasileiros tentava chegar a Caracas, onde previam fazer uma visita a vários presos políticos. Não conseguiram. À saída do aeroporto, o autocarro onde viajavam os senadores brasileiros foi barrado por um grupo de apoiantes do Governo venezuelano que cercou o autocarro. Em seguida a estrada foi cortada, as condições de segurança deterioraram-se e os senadores brasileiros não conseguiram ver preso algum.

Dias antes o antigo primeiro-ministro espanhol, Felipe González, acabou também  a ter de interromper uma visita à Venezuela, donde aliás saiu num avião enviado pelo governo da Colômbia: “A Venezuela é um país em processo de destruição!” – declarou Felipe González. Uma frase que bem pode servir de legenda às imagens recolhidas por telemóvel nos supermercados (já não se podem fazer outras nos supermercados venezuelanos) e que mostram as prateleiras vazias, as filas e as discussões entre cidadãos desesperados e funcionários sem nada para vender.

Perante isto cabe perguntar: porque não se fala de tragédia humanitária na Venezuela? Porque mediaticamente falando a tragédia humanitária só existe quando a esquerda a declara.