Durante a campanha para a liderança do PSD, Rui Rio assumiu que apoiaria um eventual governo minoritário do PS com o objectivo de libertar António Costa (e o país) da extrema-esquerda, teríamos portanto o regresso do bloco central a Portugal; os militantes do PSD aparentemente não se assustaram com a ideia e elegeram Rui Rio líder do seu partido. São vários os cenários para 2019:

  1. Maioria absoluta do PS: encerra a questão, PS governa sozinho.
  2. Maioria relativa do PS: Com quem governará Costa? Voltaremos à fórmula da Geringonça ou Costa fará de Rio o seu número 2 sabendo de antemão que pode contar com ele?
  3. Maioria relativa do PSD: Com quem governará Rio? Estará Costa disposto a ser número dois depois de já ter sido primeiro-ministro? Que palavra terá o CDS neste cenário?

Se as eleições fossem hoje o resultado mais provável seria uma vitória do PS sem maioria absoluta e muito provavelmente Costa dispensaria de bom-grado a companhia de Catarina e Jerónimo para fazer de Rio seu vice no governo. Neste exercício de futurologia qual seria o futuro do PSD? Talvez seja útil olhar para a Alemanha. Merkel governa desde 2005, sempre em coligação, duas vezes com o SPD e uma com os Liberais. O último presidente do SPD a conseguir formar governo foi Gerhard Schröder de 1998 a 2005, depois dele os líderes do SPD limitam-se a ser “vices” de Merkel, estando na calha mais uma GroKo – Grosse Koalition (grande coligação) que empurrará um outrora promissor Martin Schultz para número dois de um governo liderado pela inevitável Angela Merkel.

Desde 2005 Merkel transformou-se numa máquina trituradora de adversários, com a sua habilidade política tem sabido levar a Alemanha ao sucesso económico ao mesmo tempo que controla as questões sociais como a dos refugiados não dando argumentos aos seus adversários tanto à direita como à esquerda.

Em Portugal, Costa beneficia de uma situação económica favorável e de paz social garantida pela esquerda, sendo natural que se levante a questão, poderá António Costa transformar-se na Merkel portuguesa e triturar líderes do PSD à medida que vai ganhando eleições, governando à esquerda e à direita tal como Merkel faz com os Liberais e o SPD na Alemanha? Estarão os militantes do PSD preparados para o hiato de poder que se avizinha? Conseguirá Rio realizar uma oposição de tal modo eficaz que leve os portugueses a confiar em si a chefia do próximo governo?

São muitas as questões que neste momento se levantam no PSD, sendo clara uma coisa: o caminho até às eleições de 2019 é estreito, Rio terá perto de ano e meio para se posicionar como alternativa a Costa se quiser ter aspirações a ser primeiro-ministro e não se limitar a ser seu número dois por quatro anos, altura em que os militantes o substituirão por outro com ambição de ser número um. Rio terá já uma estratégia delineada de oposição a este governo, no entanto com as contas públicas aparentemente controladas e sabendo que Rio faz disso uma das suas principais bandeiras será interessante observar por que ângulo procurará Rio atacar o governo e marcar a alternativa, fundamental para o sucesso em 2019.