Nasci em 1987, vivi na altura da entrada dos fundos comunitários em Portugal, a altura “em que toda a gente ganhava dinheiro” como oiço muitas vezes dizer, vivi a passagem do escudo para o Euro… e vivo desde então a eterna “crise”. Recuando um pouco na história chego à conclusão que afinal Portugal sempre viveu em crise, com excepção de alguns fogachos de aparente fulgor económico. Já por isso demos início ao período mais famoso da nossa história, os descobrimentos! Fizemo-lo pois vivíamos em crise e tivemos de procurar novas paragens que nos permitissem obter bens para alimentar e sustentar o nosso país. Hoje em dia as coisas não são muito diferentes, não vamos pegar em navios e partir á descoberta está claro, mas o fundamento é o mesmo de há 600 anos: Portugal vive dependente de países estrangeiros.

Possuímos uma economia baseada no consumo e no turismo, mercados que como sabemos são bastante voláteis. Dada a situação vivida actualmente, o consumo caiu drasticamente e o turismo praticamente deixou de existir. O vírus irá certamente passar, ou teremos que viver com ele tal como vivemos com inúmeros vírus, mas o vírus económica passará? A economia é uma ciência social, como tal, depende de pessoas — sem a confiança das pessoas (consumidores) será muito difícil a economia recuperar. A última grande recessão económica que o mundo atravessou terá sido no pós segunda guerra mundial. Nessa altura existiu o Plano Marshall para relançar a economia, mas agora teremos um novo Plano Marshalll adaptado aos dias actuais?

Essa seria a minha esperança, optimista e sonhador como sou (ingénuo) pensei: “A União Europeia foi criada com o fundamento de criar coesão entre as economias europeias (as mais fortes ajudarem as mais fracas), por isso com a ajuda europeia tudo se irá resolver”. Que ingénuo fui… Quando num cenário destes os Países economicamente mais fortes da Zona Euro se recusam e se mostram reticentes em emitir dívida partilhada (coronabonds) apenas fica demonstrado que não existe solidariedade Europeia e que a União Europeia apenas serve para as economias mais fortes enriquecerem ainda mais á custa das mais fracas. Quero estar enganado, mas se a situação não muda, esta pandemia pode ter sido o acender do rastilho que irá provocar o fim da União Europeia… e o ascender das economias de Leste sobre as economias Ocidentais!

Sempre fui europeísta e continuo a sê-lo (como referi sou ingénuo e sonhador) e quero acreditar que a União Europeia irá funcionar para o propósito para o qual foi criada… e que toda esta quarentena económica irá terminar e iremos regressar mais fortes… Volto a dizer: sou um ingénuo sonhador!

Carlos Alexandre Neno Silva