Bem sei que a “guerra” no CDS está na ordem do dia. Os órgãos de comunicação social (OCS) que durante 2 anos votaram ao desprezo Francisco Rodrigues dos Santos (FRS) e a sua Direcção, lutam agora para que o mesmo apareça, dê entrevistas (sempre seguidas de espaço equivalente dado ao seu contendor). Não é por nada, mas quem é que ainda não tem posição sobre o assunto?

Entendendo que é necessário voltar a falar ao país, FRS, em algumas entrevistas, tentou mudar de tema, mas não teve sorte. Os entrevistadores fizeram orelhas moucas pois o que interessa é mais “sangue”. Como é óbvio, os OCS são livres para perguntarem o que quiserem. Mas, por mim falo: estou esclarecido quanto à necessidade de manter o Congresso para a sua data estatutariamente prevista. O meu desejo vai no sentido de continuarem a convidar FRS para dar entrevistas, mas, desta feita, para que o possamos ouvir sobre os problemas que afligem Portugal e que passo a enumerar, apenas alguns;

Os funcionários públicos (FP). Este é o elefante na sala, aliás uma manada deles. Todos sabemos que existem serviços com gente a mais e outros com escassez de recursos. Mas, no cômputo geral, é insuportável para o nosso país a existência de 1 milhão de funcionários públicos. Para a esquerda – principalmente PS e PCP – este é o seu core business, é aqui que estão os seus votantes. Não é, pois, por parte destes partidos que alguma reforma verá a luz do dia.  Temos professores a mais, porque temos alunos a menos? Sim. Solução da esquerda? Estrague-se a vida aos colégios privados. Os hospitais privados, ou em PPP, prestam melhor serviço e não dão prejuízo? Sim. Solução da esquerda? Acabem-se com as PPPs e estrague-se a vida aos privados.

Pese embora a existência de muitos e bons FP’s, um grande número dos mesmos não se importa de ser nivelado por baixo pois isso inibe o seu despedimento e não lhes afecta a “carreira” (que depende unicamente do passar do calendário). É, pois, normal que estas pessoas – e suas famílias – não se incomodem com o estado a que isto chegou. Querem que o tempo passe depressa a fim de atingirem o nirvana que é a reforma.

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As pensões de reforma: vive-se com angústia se o Estado terá, no futuro, a capacidade de pagar as pensões para as quais somos obrigados a descontar agora, quando se sabe que, pelo andar da carruagem, vai faltar gente no futuro para fazer aquilo que nós fazemos hoje: pagamos as pensões dos actuais reformados. E, já agora, que solidariedade é esta que, quando eu for reformado, vou ao café com quem não teve filhos por opção e recebe o mesmo do que eu que tive três e que estarão nessa altura – se não emigrarem – a pagar as reformas por inteiro de quem não os quis ter? Não é esta uma boa questão para se discutir e colocar ao Presidente do CDS?

E relativamente a impostos – um verdadeiro saque – não será de perguntar por que razão a esquerda continua a entender que são baixos (Bloco e PCP) ou que não dá ainda para os baixar (PS, PAN)? A Troika veio pelos desmandos socialistas e foi-se pelo trabalho da direita. Há 6 anos que a esquerda governa. Quanto tempo faltará para baixarem os ditos cujos? Estão à espera, afirmam, que a economia comece a crescer “robustamente”. Mas como, se há 20 anos que tal não acontece?!

Não será porque menos impostos, significa mais liberdade (que não anarquismo ou libertarismo) para escolher uma melhor educação para os nossos filhos, um plano de saúde, etc, etc. Ora, essas opções teriam como consequência o aumento de empregos no privado, reduzindo o exército de funcionários públicos, o que não é do interesse do partido socialista porque isso lhe retira votantes.

Os salários baixos. Este tema é a pedra basilar da política socialista. Não nos enganemos, o salário baixo é a razão da sobrevivência da esquerda em Portugal. Com salários baixos, aposta-se na eficiência e não na eficácia. Contratam-se mais pessoas, em vez de se exigir mais, a menos. Premeia-se a burocracia.

Se todos ganharmos pouco, todos nós estamos obrigados a esperar anos por uma operação no SNS, enquanto o cancro alastra. Se não existirem opções para quem possa pagar, ninguém se fica a “rir” e passamos todos a exigir o reforço do SNS. Ganhando pouco, aceitamos a eutanásia porque conhecemos a realidade dos hospitais públicos e não queremos que nós, ou quem amamos, morra naquelas condições. É muito chato para socialistas e trotskistas que, hoje em dia, exista quem possa morrer ou acompanhar os seus entes queridos, numa morte digna, pacífica e com conforto, só porque tem dinheiro.

Se ganho pouco, não tenho como impedir que os meus filhos vão para a escola pública e sejam obrigados a aprender que não existe sexo, mas sim género e que os nossos antepassados foram más pessoas. Quem tem uns trocos faz uns sacrifícios e põe os filhos nos – poucos – colégios privados que ainda vão sobrevivendo. “Chatos” como os Mesquita Guimarães, que insistem em colocar a sua prole na escola pública, são poucos e tendem a desaparecer. O ideal para a esquerda – encarnada nessa personagem tenebrosa e que não nos larga há anos, chamada de Mário Nogueira – é que todos os professores ganhem pouco, que não sejam avaliados – cruz credo onde já se viu!? – e que o ratio de professor/aluno vá baixando até ser 1 para 1.

Sei o que pensa FRS sobre estas – e outras – matérias, mas o grande público não. Que tal – é apenas uma sugestão – voltarem a convidar FRS e, desta feita, lhe perguntem o que merece ser conhecido e não a opinião dele relativamente às diatribes, birras e choraminguices de um conjunto de gente que vai muito à televisão, mas às quais não se reconhece uma linha de pensamento político.