Rádio Observador

Sexualidade

Que tem a dizer o PAN da pansexualidade? /premium

Autor
207

O deputado André Silva devia exigir que Miley Cyrus se retractasse e já agora aproveitava para dar-lhe umas dicas para novas coreografias com base no que anda a treinar nas aulas de biodanza.

Esqueçam a greve dos motoristas de matérias perigosas. Esta sim é a questão mais premente da actualidade política nacional. E vem ela a propósito da cantora Miley Cyrus, que ao afirmar recentemente numa entrevista ser pansexual esclareceu estar receptiva “a tudo o que seja consentido e que não envolva animais ou menores.” Como assim? Os menores compreende-se, claro. Os animais menores ainda se percebe. Mas então e a bicharada que já tenha atingido a maioridade e até manifeste interesse por este tipo de coboiada? Ou tudo o que mexe é digno de ser amado pela Miley menos um bicho maior e – desejavelmente – vacinado? À atenção do PAN, esta discriminação escandalosa dos animais. O deputado André Silva devia exigir que Miley Cyrus se retractasse e já agora aproveitava para dar-lhe umas dicas para novas coreografias com base no que anda a treinar nas aulas de biodanza.

Aliás, foi precisamente por causa de uma coreografia que eu nunca desconfiei que a Miley Cyrus tivesse uma sexualidade alternativa. Refiro-me à coreografia daquele videoclipe em que ela anda de um lado para o outro montada numa bola de demolição. Aquela falta de noção de como se utiliza correctamente uma ferramenta de construção civil fez-me mesmo acreditar que se tratava de uma típica menina. Ui, isto é capaz de ter sido um bocadinho sexista. Refrasearei. O que na verdade me levou a crer que a Miley Cyrus era uma menina comum foi o facto de nesse teledisco ser bastante óbvio que ela é possuidora de maminhas e ser quase óbvio que é também detentora de um pipi. Eh pá! Então só porque tem maminhas e pipi é imediatamente uma menina? Logo a colocar rótulos? Agora já estamos a resvalar para o mero preconceito.

Bom, a verdade é que Miley Cyrus afiança não ser homossexual, nem bissexual, mas sim estar dentro da “fluidez de género”. Socorro-me (“socorro” será a palavra-chave aqui) da Wikipédia: “O género com que a pessoa género-fluída se identifica varia através do tempo: às vezes sente-se cis, outras vezes trans binária, outras vezes trans não-binária, noutras identifica-se com vários géneros, parcialmente, indefinidos ou com nenhum. A velocidade com que o género muda varia de pessoa para pessoa, pode ser gradual, súbita, constantes, inconstantes, mensais, anuais ou diárias, podendo ser entre géneros totalmente opostos”. Hã? Enfim, digam o que disserem, para mim a questão do género fluido explica-se em meia dúzia de palavras: nega a Ciências no nono ano (e 3 à rasquinha a Português, a julgar pela amostra supra). Não há um género fluido. Há, isso sim, vários géneros de fluidos, nomeadamente um típico dos meninos e outros típicos das meninas. Foi isso que o stôr disse, acreditem.

Mas atenção, longe de mim desvalorizar o problema da disforia de género, uma questão médica complicada que atinge uma pequena parte da população. Creio apenas que seria prudente em casos como o de Miley Cyrus, antes de fazer o despiste desta condição através de complexos testes médicos, fazer primeiro o teste do balão. É sabido que esta malta nova gosta de se enfrascar e por vezes não tolera bem o álcool. Resultado, pode bem dar-se o caso de estarem simplesmente a ver quatro, ou oito, ou até dezasseis géneros diferentes onde na verdade só existem dois.

Na génese desta controvérsia esteve a revista Elle, que num dos últimos números lançou a questão “ousada” do “fim do género (binário), a fluidez sexual e a revolução trans”. Para eles, uma das caras mais activas nestas questões é Miley Cyrus – “estrela pop, provocadora, ativista LGBT”. Por acaso, se eu fosse director da revista teria optado por colocar outra questão ousada à artista, designadamente a seguinte: Ó Miley, agora a sério, isto a pansexual é a antiga galdéria, não é?

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Incêndios

Quem dera que este kit fosse um KITT /premium

Tiago Dores

A realidade mostra que o executivo não está a alijar responsabilidades. Isto porque se o governo quisesse mesmo sacudir a água do capote haveria já água suficiente no país para apagar fogos até 2157.

Justiça

Nada de novo sob o sol /premium

Paulo Tunhas

O ridículo – que variará em perigosidade para os indivíduos que têm o azar de serem objecto de acordãos destes – continuará por aí, sempre alargando o seu “espaço de enunciação” e muito contente de si

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)