Os números estão a subir dia após dia e a verdade é que estamos a pagar um preço pesado pelas festividades e porque alguns portugueses não tomaram os cuidados certos na luta contra este inimigo invisível.  O número de infeções resultantes das festas de Ano Novo, aliás, pode não estar ainda refletido nestes dados. Contudo, não sabemos ainda se esta evolução tem uma tendência descendente ou ascendente, uma vez que existem diversas variáveis, nomeadamente, o alívio de restrições na época festiva e a sazonalidade, como acontece com o vírus da gripe, das novas variantes do vírus e da vaga de frio que estamos a viver neste momento.

De referir, que, de acordo com um artigo assinado pelo Doutor António Correia de Campos no Público, quase 40% das mortes ocorrem entre pessoas que vivem em lares e a letalidade entre infetados triplicou em Dezembro os valores de Julho — em apenas seis meses. Todavia, os casos de infeção em lares representam uns escassos 5% do total de casos de Covid-19.

Vivemos momentos de enorme incerteza, mas não existem desculpas. Sejam coerentes, sejam honestos e assumam as responsabilidades, uma vez que a culpa deste aumento é responsabilidade nossa. Todavia, agora paga o justo pelo pecador.  Os que tiveram e têm todos os cuidados para combater a pandemia estão agora mais perto de a ter. Se todos tivessem tido os devidos cuidados antes e depois de estarmos com as nossas famílias e amigos no Natal e no Ano Novo, nada disto estaria assim, estaríamos a ter um início de 2021 muito mais tranquilo.

Agora é tempo de recolher as consequências do ato que alguns portugueses tiveram, não se privando e não fazendo sacrifícios. Também me apetece sair do trabalho e ir beber café, ir ao ginásio, ter uma vida social e familiar, mas não a tenho porque tenho consciência e quero proteger aqueles de quem gosto. Por muito que nos custe estar longe dos nossos amigos e famílias, pensem que houve portugueses que se privaram de passar as festividades com quem gostam em prol do combate à pandemia.

Em relação às medidas apresentadas esta semana pelo Primeiro-Ministro António Costa, elas podem atenuar os efeitos de uma crise, mas podem ser prejudiciais para a outra. Uma vez que o nosso país está a viver duas crises em simultâneo, a crise sanitária, com o aumento recorde dos novos casos diários de Covid-19, e a crise económica e financeira, que por este andar só pode agravar-se. Mas de que serve ter uma boa economia, se a população não tem saúde?

Para nós, portugueses, está tudo bem. Vejo os cafés cheios, vejo a rua cheia de gente, vejo os universitários a partilhar garrafas e acredito que a pandemia vai servir de desculpa para a abstenção nas eleições do dia 24 de janeiro. Já se fala na aglomeração no dia das eleições. E na passagem de ano, nas festas ilegais, não existiram aglomerações? A minha pergunta é, onde andam as autoridades? Comecem a controlar a pandemia, passem multas, a quem não respeita o confinamento e a quem desrespeita as leis impostas durante o estado de emergência, porque depois, do outro lado, está o Sistema Nacional de Saúde. Em vez de os portugueses irem para a janela parabenizá-los, ajudem os profissionais de saúde, respeitando o confinamento, respeitando o estado de emergência. Porque não é o Sistema Nacional de Saúde que tem que salvar as nossas vidas, temos que ser nós próprios a salvar a nossa vida e de quem gostamos.

Tomem os devidos cuidados e cuidem de si próprios e dos vossos.