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E de forma surpreendente, Rui Rio ganhou as eleições internas no PSD. E está com um novo ânimo para as legislativas, o líder dos sociais-democratas. De tal forma, que não creio ser exagero assinalar estarmos perante um Rio Rui de um nova estirpe. Sim, sim, de uma nova estirpe, tal e qual a Covid, que também tem esta estirpe nova, a Ómicron. E as semelhanças entre a Covid e o recém re-eleito líder do PSD vão ainda mais longe. Porque se é verdade que a Ómicron veio da África do Sul, este novo e fortíssimo entusiasmo de Rui Rio dá quase ideia de ter tido origem em Pau-de-Cabinda. Portanto, estamos a falar de duas novas estirpes ambas com profundas ligações ao continente africano.

O que é ainda mais impressionante na vitória de Rui Rio é que a mesma ocorreu em eleições que ele nem queria disputar. Ou seja, parece-me óbvia a estratégia a adoptar pelo PSD para as legislativas de Janeiro. E começa logo por apresentar, junto da Comissão Nacional de Eleições, um protesto pela realização das próximas eleições. E quando a CNE perguntar: “Ó Sr. Rui Rio, mas porque é que o senhor não quer participar neste sufrágio, se já está tudo marcado há várias semanas?” Rui Rio responde: “Minha shôra, tenha paciência, mas antecipar eleições legislativas para uma altura em que o partido deve estar concentrado nas eleições europeias de 2024 seria totalmente desajustado das circunstâncias que o país está a viver.” E a senhora da CNE: “Hum… Pois, só que a CNE não quer saber disso para nada, pá.” E o Rui Rio: “Ai, é? Querem mesmo eleições? Então já vão ver como elas mordem!” E, tumba, em Janeiro o PSD ganhava as legislativas com 87,3% dos votos.

A não ser assim, a chave das próximas eleições será, sem dúvida nenhuma, o PAN. E não é por eventuais coligações que o Pessoas que cedem quotas de uma das suas empresas à sogra, que por seu turno as cedeu logo depois ao filho, que é seu marido-Animais-Natureza possa vir a fazer. É mesmo porque se o PAN arranja maneira de, até às legislativas, boicotar todo e qualquer evento tauromáquico, está garantida a vitória do PS. Já se o PAN andar distraído a boicotar o abate de árvores para este Natal, o que o PSD tem de fazer é promover, com carácter de urgência, uma grande grande corrida de toiros. Mandam vir, por exemplo, seis imponentes toiros da ganadaria do Dr. Brito Paes, para garantirem espectáculo, e juntam aos bichos o Rui Rio, este apenas para que lhe coloquem o maior número possível de bandarilhas no lombo. O quê? Então o homem, depois de ganhar as eleições no PSD, não disse “eu funciono melhor quando me picam? Eh pá, é avançarem com essas bandarilhas. É fazer do indivíduo uma almofada de alfinetes, se faz favor.

Preocupa-me é ter escutado, a jornalistas que reputo de extra-rigorosos, que terá havido apoiantes de Rui Rio a afirmarem que o líder reeleito do PSD está “em ponto rebuçadopara derrotar António Costa. Ora, isto do ponto de vista gastronómico-político é preocupante. E porquê? Porque, ao nível gastronómico, o rebuçado é pegajoso. E da perspectiva política a última coisa de que Portugal precisa é de ter um Rui Rio tão coladinho a António Costa que ainda acabam a formar um bloco central. Circunstância em que só ficaria mesmo a faltar vermos Rui Rio em ponto de areia (que, para os leigos, acontece por volta dos 140º C). Isso, sim, seria a consumação do desapontamento com Rui Rio, quando ele, como acontece com a calda de açúcar em ponto de areia, ficasse agarrado ao tacho.

Por falar em calda, onde a vitória de Rui Rio foi festejada, forte e feio, foi no Largo do Caldas, na sede do CDS. Com a vitória de Rio no PSD, o líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, vê reforçada a hipótese de ir a eleições coligado com os sociais-democratas. Para mais quando, entretanto, já não há hipótese de ser substituído à frente do CDS. A menos que Francisco Rodrigues dos Santos tenha de ser substituído, à última hora, por lesão. Isto na eventualidade de, com o reforço das medidas de higiene devido à Ómicron, associado aos festejos pelas perspectivas que a vitória de Rio abre ao CDS, o líder centrista ter esfregado com imenso vigor tanto álcool gel que tenha arranjado queimaduras de segundo grau nas palmas das mãos.

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