Vladimir Putin

Rússia caminha a passos largos para uma ditadura

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Putin tenta distrair a atenção dos cidadãos russos com intervenções militares no estrangeiro. Isto pode dar o efeito desejado, mas não por muito tempo. 2016 vai ser um ano muito difícil para a Rússia.

Quem não pensa como o senhor do Kremlin tem cada vez menos opções: ou sai da Rússia, ou cala-se, ou suicida-se. O clima de intolerância aumenta, pois o Presidente Putin tenta cortar pela raiz qualquer tipo de oposição política.

No dia 25 de Dezembro, enquanto festejávamos o Natal, um jovem russo de 18 anos suicidou-se devido às perseguições a que foi sujeito por não apoiar a invasão da Ucrânia pelas tropas russas.

Em Junho de 2015, Vlad, que vivia em Podolsk, cidade dos arredores de Moscovo, foi para as aulas vestindo uma t-shirt com as cores da Ucrânia e onde estava escrito “Devolvam a Crimeia!”. A partir daí, a vida do jovem foi transformada num inferno. Vlad foi expulso do instituto e os serviços secretos interessaram-se em saber onde é que ele tinha arranjado a t-shirt.

O jovem recusou-se a prestar serviço militar a pretexto de que não queria combater contra “os seus irmãos ucranianos” e, como forma de protesto, gravou o Hino da Ucrânia no seu telemóvel e pô-lo a tocar perante a comissão de recrutamento.

O avô, adepto de Putin, enviou-o para a casa dos pais, na região de Samara, no Sul da Rússia, mas Vlad não encontrou aí compreensão nem entre parentes, nem entre vizinhos. Era insultado, atiravam-lhe lama, mas não se podia queixar à polícia, porque os agentes tinham prometido “partir-lhe a cara por semelhantes posições”. Vlad não aguentou a pressão e tomou uma dose mortal de medicamentos.

No dia 22 de Dezembro, a Duma Estatal (Câmara Baixa do Parlamento Russo) aproveitou na generalidade e na especialidade, em apenas dez minutos, uma lei que aumenta os poderes dos serviços secretos russos. Os agentes poderão entrar em qualquer lugar e empregar armas de fogo em locais onde esteja concentrado um número significativo de pessoas a fim de impedir atentados terroristas e libertar reféns. Eles não são obrigados a prevenir que vão abrir fogo se isso criar uma “ameaça à vida e saúde” dos cidadãos”, bem como dos próprios agentes.

Além disso, os agentes do Serviço Federal de Segurança terão o direito de “empregar meios especiais para impedir desordens em massa”, prerrogativa que antes era apenas dada à polícia russa.

Não obstante todas as declarações de Putin e dos seus ministros sobre a estabilidade económica, a verdade é que o nível de vida dos russos se deteriora rapidamente, os salários descem, começam a não serem pagos atempadamente, os preços dos produtos mais indispensáveis sobem. A queda do preço do petróleo e do gás nos mercados internacionais revelou as fragilidades da economia russa e mostrou que pouco ou nada foi feito para libertar o país da dependência do preço do petróleo.

A oposição, através da Internet, denuncia a corrupção nas altas esferas do poder. Recentemente, Alexei Navalni publicou dados sobre as ligações entre os filhos de Iúri Chaika, Procurador-Geral da Rússia, e o mundo do crime, sobre a vida luxuosa dos filhos da elite russa. A resposta dos dirigentes russos é que tudo isso é falso e obra dos inimigos internos e externos do país e do Presidente.

Por isso, o Kremlin toma medidas preventivas para prevenir qualquer tipo de imprevisto. Além de medidas repressivas, Putin tenta distrair a atenção dos cidadãos russos com intervenções militares no estrangeiro. Isto pode dar o efeito desejado, mas não por muito tempo. O ano 2016 vai ser um ano muito difícil para a Rússia.

P.S. A imprensa russa informa que Gerard Depardieu decidiu vender as suas propriedades na Rússia e concentrar-se na Bélgica, onde reside. Por enquanto, o actor francês afirma não tencionar renunciar à cidadania russa, mas o facto é que o seu romance com o Kremlin parece estar a resfriar.

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