É a grande novidade do desconfinamento. Nesta fase, temia-se o aumento descontrolado dos contágios por Covid-19, mas o facto mais relevante do pós-quarentena foi mesmo a chegada do paraministro António Costa Silva. O Primeiro-Ministro foi a um tasco onde, por coincidência, estava Costa Silva a comer caracóis com uns amigos. Fruto do acaso, António Costa ouviu parte da conversa, típica neste género de tainada, em que Costa Silva explanava aos comensais: “Ouçam lá, eu é que resolvia os problemas do país. Em dois dias punha isto tudo a funcionar como deve ser. Se for preciso, até faço já aqui um plano económico a dez anos neste guardanapo! Neste não, que está cheio de baba de caracoleta. Num limpo.” António Costa escutou, gostou e contratou o paraministro.

Embora a ideia inicial do Primeiro-Ministro fosse convidar Costa Silva para ministro. Afinal, trata-se de alguém que, num par de dias, fez mais do que um Governo inteiro em quase cinco anos. Está certo que é um Governo socialista, mas ainda assim é qualquer coisa. No entanto, Costa — o de facto ministro –, percebeu rapidamente que tal convite não seria viável. Para começar, o novo paraministro não preenchia o requisito legal obrigatório para fazer parte deste Governo do PS: ser familiar de outro membro do Governo. Além disso, tendo em conta que este executivo de 70 pessoas é o maior de sempre, no autopullman do Governo só restavam lugares ao colo.

O que interessa é que Costa Silva já está a trabalhar em prol do nosso Portugal. Confesso que não tinha referências do paraministro, mas após uma pesquisa rápida fiquei tranquilo. Entre vários encómios ao gestor, encontrei este:

Agora constato quão patético foi ter demorado seis dias para criar o mundo. O Costa Silva, em dois escassos dias, gizou um plano que levará a economia portuguesa a prosperar nos próximos dez anos. Em muito menos tempo, concebeu algo incomensuravelmente mais difícil!
Deus

O paranormal paraministro Costa Silva diz que é preciso “Mais Estado na economia.” Sim, sim, e eu preconizo que é urgente implementar aquela medida de tirar a temperatura aos funcionários à entrada dos locais de trabalho. Se tal estivesse em prática, ter-se-ia detectado os 39,5º de febre de Costa Silva, os delírios estatizantes ficavam explicados, dava-se um paracetamol ao paraministro e quando as alucinações amainassem iniciava a sua colaboração com o Governo.

Assim sendo, estamos munidos de alguém capaz de nos ensinar a melhor forma de espatifar as dezenas de milhares de milhões de euros que esperamos receber da União Europeia. Ou irá António Costa recusar o apoio visto ele só ser possível com a aprovação do repugnante Ministro das Finanças holandês? Afinal, o dinheiro angariado por um indivíduo repugnante, junto dos — presumo que também repugnantes — contribuintes holandeses, não estará ele, igualmente, eivado de repugnância? Não interessa. Para António Costa esta crise foi mesmo providencial: obriga-nos a andar com as mãos sempre tão desinfectadas que venha de lá esse imundo gravetinho!

Repugnância tem havido a rodos nos Estados Unidos da América estes últimos dias, com motins a sucederem-se em várias cidades na sequência do revoltante assassinato de George Floyd. Sobre este assunto, apenas alguns pontos, simultaneamente prévios e derradeiros:

  1. Pelo que sabemos até ao momento, não se pode afirmar que o crime cometido pelo agente Derek Chauvin tenha tido motivações racistas.
  2. Em que medida bater numa senhora com uma tábua, incendiar uma igreja, ou roubar uma carteira da Gucci são demonstrações de pesar pela morte de George Floyd?
  3. Consta que vários elementos do Bloco de Esquerda demonstraram apoio ao grupo extremista Antifa. Bem previsível. Para quem nutre estima pelo Hamas, isto é para meninos.