“L’État, c’est moi” a frase proferida pelo Rei-Sol Luis XIV em França  no ano de 1655, poderia ser proferida por António Costa no Portugal de 2018? Provavelmente Costa não se atreveria a ir tão longe, no entanto apesar de não o dizer é assim que se comporta o líder do governo suportado no parlamento por uma maioria de esquerda. Tancos não lhe merece um comentário “é problema da justiça” diz, como se o facto do seu ministro da Defesa ocultar sucessivamente informação aos deputados no parlamento fosse uma coisa normal. Os terríveis incêndios do ano passado foram da responsabilidade de condições meteorológicas excepcionais e nunca por falhas da Protecção Civil. Quando essas falhas se tornaram por demais evidentes e alguém (que não Costa, obviamente) teve que ser responsabilizado, o elo mais fraco caiu, a então ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

Sobre o caos na Saúde o que António Costa tem a dizer é o seguinte: “Já todos nós temos idade suficiente e experiência acumulada para sabermos que o setor da Saúde é um setor no qual com muita facilidade se generaliza e se torna como paradigma situações pontuais.” Convinha que o PM fosse mais longe na análise: quais são as situações pontuais que se estão a generalizar? Serão os tempos de espera para uma consulta de especialidade? Os doentes sem médico de família? Ou as urgências caóticas? Estes casos são pontuais ou são a regra? De acordo com o ministro da Saúde quem ousar levantar a voz sobre o que se passa no SNS é porque tem a intenção de o privatizar. Mas será mesma essa a intenção nos 50 chefes de equipa e directores de serviço do Hospital de Gaia? Duvido muito.

Esta maioria de esquerda comporta-se com se o Estado lhes pertencesse, o Estado são eles. A escola não serve para educar alunos, serve para empregar professores e para os servir, os hospitais não servem para tratar doentes mas sim para pagar salários a médicos e enfermeiros, a Protecção Cívil não serve para proteger as populações mas para empregar boys.

Na antiga República Democrática Alemã, um dos slogans mais ouvidos era: “Nós somos o povo”, as pessoas atingiram o limite e revoltaram-se contra uma elite prepotente e autoritária.

Se o Estado é a esquerda actualmente no poder, onde está o povo? Quem o representa?

Rui Rio faz uma oposição de zigue-zagues, um dia diz que a “Taxa Robles” não é disparatada, no outro diz que afinal vai apresentar a sua própria versão da mesma, onde devia ser alternativa é apenas mais do mesmo mas noutra versão, onde até o governo se distanciou, Rio corre para não perder um comboio onde só está o BE na sua ânsia de fazer esquecer o “caso Robles” e sabe-se lá onde vai parar.

Onde está quem defende o povo que não está ligado ao Estado? Quem não tem dinheiro para pôr os filhos numa escola privada e está sujeito a uma escola pública cada vez mais desorganizada, onde o ano lectivo nunca se sabe se começa no dia em que é suposto? Quem não tem ADSE nem dinheiro para um seguro de saúde e está a mercê de um SNS onde cada vez se investe menos porque o dinheiro afinal não chega para tudo?

Assunção Cristas já muito perto do fim da sua entrevista à RTP referiu: “tenho pena que não possamos falar de uma proposta do CDS, o alargamento da ADSE a todos os portugueses”. Diga-se em abono da verdade que este alargamento já está previsto no programa político da Iniciativa Liberal. Alternativa é isto, pensar pela própria cabeça, ser coerente, capaz de perceber quais os problemas que mais preocupam as pessoas e ter capacidade de apresentar soluções.

Licenciado em Medicina