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Sobre a Felicidade

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É positivo que as empresas, o governo e as universidades estejam a colaborar de forma sem precedentes em métodos de medição para melhorar o nosso conhecimento sobre a felicidade.

Recentemente, tem havido um interesse crescente no uso da felicidade do consumidor nas campanhas de marketing. Por exemplo, a Coca-Cola sugere ao consumidor que “Abra a Felicidade”; a cidade de San Diego diz que a “Felicidade está a Chamar”; Maltina intitula-se “A nova cara da felicidade”; Hershey’s proclama que “Existe muita da felicidade de HERSHEY numa pequena gota de chocolate” e a Zappo considera que está a “entregar Felicidade”. A felicidade é sem dúvida um tema em voga no meio empresarial. Contudo, este interesse não se fica pela sala de reuniões. O tópico felicidade parece estar a ganhar importância também entre os ciclos governamentais. Esta preocupação com felicidade por parte dos governos encontra evidência há já alguns séculos atrás, com a Declaração da Independência dos Estados Unidos (de 1776) a atribuir a qualquer individuo o direito inalienável de “Vida, Liberdade, e busca da Felicidade” – apesar de alguns interpretarem “busca da felicidade” como o direito de ser proprietário. Mais recentemente, governos de países desenvolvidos e em desenvolvimento têm tomado consciência da importância do bem-estar psicológico dos seus cidadãos. Ben Bernanke, na qualidade de Chairman da Reserva Federal, afirmou em 2012 que “avaliar a felicidade pode ser tão importante para medir o desenvolvimento económico como determinar se a inflação é baixa ou o desemprego é elevado”. Seguindo a iniciativa pioneira de Bhutan de incluir Felicidade Nacional Bruta como indicador de desenvolvimento, o Canadá, o Reino Unido, a França e outros países, incluíram a felicidade nos seus dados estatísticos nacionais.

Para que a felicidade seja relevante tanto nas empresas como na política pública, temos que ser capazes de a medir com fiabilidade. Frequentemente, ouço alguns céticos dizer que a felicidade é talvez demasiado abstrata e subjetiva, o que impede a sua aplicação prática. É uma posição válida. No entanto, encontramos frequentemente subjetividade tanto na indústria como na política pública. Mesmo coisas que consideramos como “exatas”, normalmente não o são.

Tomemos o exemplo do desemprego. Vários países entendem que estar desempregado é o mesmo que procurar emprego. Mas o que é que significa procurar emprego? Enviar currículos para certas empresas? Procurar emprego em websites da especialidade uma vez por semana, duas?

Voltemos à questão da subjetividade da felicidade e se a podemos medir com algum rigor. Desde o discurso inaugural de Martin EP Seligman como Presidente da Associação Americana de Psicologia em 1998, quando ele apelou a mais investigação sobre os aspetos positivos da vida (tais como esperança, gratidão, altruísmo e felicidade), as ciências sociais deram grandes passos no sentido de refinar as formas de medir a felicidade. Os investigadores já validaram diversos métodos de medição, desde inquéritos respondidos pelo indivíduo-alvo, a questões colocadas à família e amigos desse mesmo indivíduo, à eletromiografia onde o movimento dos músculos faciais (o músculo do sorriso) pode ser observado. É positivo que as empresas, o governo e as universidades estejam a colaborar de forma sem precedentes na aplicação destes e de outros métodos de medição para melhorar o nosso conhecimento sobre a felicidade.

Numa reflexão final, o leitor poderá interrogar-se “afinal, para que serve a felicidade?” De acordo com Aristóteles, a felicidade é “a melhor, mais nobre e mais agradável coisa no mundo… o bem supremo”. Para além de nos dar prazer, a felicidade traz-nos outros benefícios. Já escrevi algures que “uma vez que a felicidade normalmente surge em momentos de paz e segurança, é uma emoção que nos dá luz verde para abraçar novos desafios. Por outras palavras, a infelicidade alerta-nos para a necessidade de usar os nossos recursos para inverter a situação. A felicidade, por seu turno, sugere-nos que tudo está bem e que estamos preparados e habilitados para explorar, descobrir, aprender e crescer”. As iniciativas por parte do setor privado e público, desenhadas para incrementar a felicidade dos consumidores e cidadãos, respetivamente, são muito valiosas.

Professor Auxiliar na Católica Lisbon School of Business & Economics

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