Com a inclusão do próximo mil milhão de pessoas na economia digital, os atuais líderes de consumo de media por streaming – Amazon, Netflix, Apple, Disney e Spotify – vão procurar a consolidação. A Microsoft também corre por fora com jogos e pode até tornar-se líder no segmento (a empresa pode partir para aquisições como o Fortnight, por exemplo). Entretanto, como a história da inovação demonstra, num mercado gigantesco como o de media, sempre haverá espaço para novos protagonistas, com produtos e serviços que nem imaginamos.

A promessa da realidade estendida, combinada com software inteligente, pode finalmente criar ambientes imersivos que mudam radicalmente o modo como comunicamos, criamos, consumimos media, compramos e aprendemos. Imagine os efeitos nos anos 80 e 90 da introdução da folha de cálculo, do processador de textos e da world wide web. Nomes de peso no mercado global acreditam que a Extended Reality (XR) terá impacto parecido.

Depois da tentativa do Google Glasses em 2013, os óculos do Snap foram um dos primeiros produtos a serem lançados para o mercado consumidor, mas ainda são considerados de nicho. O famoso Oculus do Facebook também ainda não foi capaz de atingir as massas. Tudo pode mudar a partir do próximo ano, com a entrada de um player ainda maior do que estas empresas.

No início do mês de outubro deste ano, a Amazon anunciou os seus novos óculos ligados à assistente Alexa. Os óculos incluem microfone e auriculares embutidos para que a pessoa se comunique com o assistente inteligente da Amazon. É o primeiro dispositivo “wearable” da Amazon junto com um anel que também tem uma conexão com a Alexa e que embute também as funções de microfonia e de audição. Por estarem conectados à mesma plataforma da coluna inteligente da Amazon, estes novos dispositivos já nascem abertos para que possam ser produzidas Skills (como a empresa chama as Apps) agora em num contexto de uso completamente novo.

Os media especializados já publicam rumores de um produto concorrente da Apple a ser apresentado em algum momento do próximo ano. Estes óculos da Apple vêm provavelmente acoplados com a Apple Music e a Siri e podem finalmente tornar a empresa relevante no segmento de assistentes inteligentes. O Google também não deve ficar parado e com isto temos três grandes empresas com capital suficiente para criar uma pequena revolução, tendo como propulsor os novos usos da XR combinadas com a Inteligência Artificial.

De todos os setores, o setor da Educação, que mudou muito pouco desde a Grécia antiga, poderá ser uma das mais afetadas por tudo isto. Tutores artificiais inteligentes em ambientes de completa imersão, e acoplados a módulos de socialização com outros alunos, podem redefinir a sala de aula de forma tão radical que poucos dos atuais players devem sobreviver. Será um espetáculo de destruição criativa cem vezes mais potente do que o desaparecimento dos famosos clubes de vídeo, como a Blockbuster. Em exibição entre 2030 e 2040.

*Jairson Vitorino  é cofundador e CTO da E.Life

Este texto insere-se na série de artigos de opinião denominada “Stranger Topics – Tendências para a década de 2020”, desenvolvida pela Elife – empresa pioneira em inteligência de mercado e gestão de relacionamento nas redes sociais. Cada texto é relativo a uma de oito tendências digitais que a empresa definiu, com base numa perspetiva otimista para a próxima década.