A cada dia que passa, temos mais motivos para argumentar que a viabilidade das empresas no médio e no longo prazo depende de como encaram a sustentabilidade e como contribuem com soluções para enfrentar os desafios ambientais e sociais.

O sector imobiliário, por exemplo, está atualmente sob pressão para se tornar mais sustentável: a meta de neutralidade climática que a União Europeia espera atingir até 2050 foi apoiada por 22 Estados-membros até à data. Por seu lado, o Parlamento Europeu quer metas mais ambiciosas na Europa, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa de 40% para 55% até 2030, ao passo que a Comissão Europeia apresentou, em março deste ano, a sua proposta de Lei do Clima, um dos principais elementos do Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal), que tem por objetivo transformar a Europa no primeiro continente com impacto neutro no clima.

Neste contexto, o sector imobiliário é chamado a tornar-se um player mais dinâmico no campo da ação climática e levado a harmonizar, cada vez mais, os seus objetivos de negócio com as suas metas de sustentabilidade. Os investidores e os operadores são, por isso, induzidos a estabelecer requisitos ambientais – mais ambiciosos do que a própria legislação – para os seus portefólios.

A ambição de antecipar a regulamentação é motivada, não apenas por um senso de responsabilidade, mas pelo reconhecimento dos crescentes riscos económicos. Assim, os custos de energia, os riscos climáticos e as questões legais começam a ter um efeito direto nos resultados. Hoje está comprovado que os retalhistas que integram os desafios sociais e ambientais nos seus modelos de negócio têm mais possibilidades de sustentar a sua atividade no longo prazo, podendo ainda dar um contributo às comunidades onde estão inseridos.

A acrescer a este contexto, a pandemia de Covid-19 veio tornar a ação climática ainda mais urgente – pois interrompeu o crescimento global – e exigir esforços significativos e concertados de todos para a recuperação económica e para um desenvolvimento sustentável.

A pensar nesse propósito, mais de 150 empresas multinacionais assinaram a declaração “Recovery Better”, assumindo o compromisso de instar os governos de todo o mundo a integrar a ação climática nos seus planos de recuperação económica pós-pandemia.

A integração da sustentabilidade na estratégia de negócio não é uma novidade – há empresas que o fazem há décadas – e pode trazer vantagens competitivas muito relevantes, permitindo às empresas colher benefícios durante os anos seguintes, e de forma sustentada, impactando positivamente toda a cadeia de valor, clientes, acionistas, parceiros, colaboradores, lojistas e a sociedade em geral.

Para dar apenas um exemplo, a implementação de medidas de eficiência energética, poupança de água e correta gestão de resíduos, aplicadas nos últimos 17 anos, permitiram evitarmos mais de 16,8 milhões de euros em custos operacionais, só em 2019.

Ter uma estratégia de sustentabilidade aplicada ao longo do ciclo de vida dos ativos – desde a fase de pré-desenvolvimento ao desenvolvimento – seja em projetos greenfield, seja na renovação e/ou expansão de edifícios, bem como na gestão operacional, passou de opcional a essencial. Só trabalhando para, de forma estratégica, responder aos riscos ambientais e sociais, e estando permanentemente atentos para aproveitar as oportunidades, seremos capazes de construir negócios à prova do tempo e à prova de crises como a que vivemos nos dias de hoje.