Constato agora que é possível o título desta crónica gerar até algum entusiasmo. Temo ser o portador de más notícias. Infelizmente, não é, de todo, caso para tal. Isto para quem já estivesse a imaginar, porventura, uma conferência de imprensa da Direcção Geral da Saúde com os doutores Freitas, Temido e Sales envergando rigorosamente nada. Para além, claro, das obrigatórias máscaras. A cobrirem a boca e o nariz, como é óbvio. Mas não, não haverá nudez explícita. O que se receia venha a acontecer nas próximas semanas, com a chegada do Outono e aumento do número de casos, é mesmo que as habituais barafundas da DGS no combate à Covid fiquem completamente a nu. Sim, o título da crónica prometia mais, reconheço.

Na verdade, temo não apenas que não vá haver nudez, como que as tendências para este Outono/Inverno da DGS se revelem muito pouco criativas. Mas sejam vocês a julgar. Vamos ter o habitual capote, a peça de vestuário da qual, como é sabido, melhor se sacode a água. Vamos ter a clássica casaca, que será virada amiúde, como aconteceu na primeira fase da pandemia com a infame trapalhada em torno do uso das máscaras. E vamos ter aquele que poderá ser o único motivo de algum frisson nesta temporada, o facto da Dra. Graça Freitas ir ser, por certo, apanhada várias vezes com as calças na mão.

Voltando às máscaras, a DGS vai recomendar o uso de máscara ao ar livre em sítios movimentados, dias após a GNR ter identificado pessoas sem máscara na Convenção do Chega. Não sei quem foram os simpatizantes do Chega identificados, mas posso confirmar que, entre eles, não estava o militante que apresentou a moção para retirar os ovários às mulheres que abortam. É que esse militante estava, não apenas de máscara, mas todo ele disfarçado de Jack, o Estripador. E este é o momento em que o leitor me confronta com o facto de não se saber quem foi o Jack, o Estripador e portanto não poder haver uma máscara do Jack, o Estripador. E este é o momento em que eu confronto o leitor com o facto de estar muito bem informado sobre o Jack, o Estripador e aproveito para lhe perguntar “Já agora, onde é que você esteve entre 1888 e 1891?”

A quem também teria dado jeito, mais que uma mera máscara, um saco preto a cobrir toda a cabeça, era aos deputados do PSD aquando da votação para a liderança da bancada parlamentar. Isto porque a direcção do partido, por forma a garantir o secretismo do voto dos seus parlamentares, providenciou um fotógrafo e um operador de câmara para registarem o momento da votação e não providenciou uma cabina de voto. O jeito que o saco preto na cabeça teria dado aos deputados do PSD para irem votar. E para usarem depois, na rua, que deve ser bastante vergonhoso conviver com outras pessoas depois de andar vergonhosamente a apajear o PS. Podiam tirar o saco da cabeça quando fossem para a cama, vá. Se não partilharem o leito com mais ninguém, claro.

Mas porque o drama da Covid tem ramificações insuspeitas, do Brasil chega a notícia de um pinguim encontrado morto por banhistas numa praia a norte de São Paulo que, ao ser autopsiado, revelou ter no estômago um máscara facial. É inacreditável. Como é possível que, apesar de todas as campanhas de sensibilização, de toda a atenção que este tema tem merecido por parte da comunicação social, de todos os alertas das autoridades competentes, ainda haja pinguins que não perceberam que as máscaras são para usar sobre a boca e não dentro da boca? Não creio que possamos fazer mais. Resta-nos confiar no bom senso de cada pinguim.